Reportagem Especial

"Capelas Encantadas"

Altar da capelas da Imaculada em primeiro plano e capela Cheia de Graça ao fundo.

Joaquim Franco/SIC

Mário Cabrita

Mário Cabrita

Repórter de Imagem

João Pedro Tiago

João Pedro Tiago

Repórter de Imagem

Vanda Paixão

Vanda Paixão

Editora de Imagem

Reportagem Especial para ver em breve no Jornal da Noite da SIC.

Dois projetos, para três espaços de culto em Braga, receberam um importante prémio internacional de arquitetura. Após consulta mundial e com milhares de participações na votação, as capelas Cheia de Graça e da Imaculada, em 2019, e a capela Árvore da Vida, em 2011, foram distinguidas pelo ArchDaily, o prestigiado "site de arquitetura mais visitado do mundo", como edifícios religiosos do ano.

Repórter de imagem Mário Cabrita dirige o drone na capela da Imaculada, capela Cheia de Graça em fundo.

Repórter de imagem Mário Cabrita dirige o drone na capela da Imaculada, capela Cheia de Graça em fundo.

Joaquim Franco/SIC

A grande capela da Imaculada, no complexo do atual seminário menor, fora originalmente construída em granito depois da segunda guerra, mas nunca tivera qualquer intervenção ou restauro. Com o apoio de fundos comunitários, a arquidiocese fez obras em 2014, que romperam conceitos e preconceitos. Há agora duas capelas no mesmo espaço, com a nova, a Cheia de Graça, dentro da pré-existente e renovada, a da Imaculada.

Capela Cheia de Graça.

Capela Cheia de Graça.

Joaquim Franco/SIC

Capela da Imaculada, vista a partir da capela Cheia de Graça.

Capela da Imaculada, vista a partir da capela Cheia de Graça.

Joaquim Franco/SIC

A capela Cheia de Graça, em madeira de pinho, remete para a ideia de um "bosque" com "troncos" que crescem até 13 metros de altura, no meio dos quais, como uma "casa da árvore", se desenvolveu a zona de culto. É preciso subir e penetrar neste "bosque" para sentir a atmosfera de luz, contraluz e sombras que faz a capela.

Altar, capela Cheia de Graça.

Altar, capela Cheia de Graça.

Joaquim Franco/SIC

Vista de topo, capela Cheia de Graça.

Vista de topo, capela Cheia de Graça.

Joaquim Franco/SIC

A entrada na originária capela da Imaculada faz-se sob esta estrutura de troncos de madeira, que se ergue do chão ao teto numa zona escura, imediatamente antes das cadeiras da assembleia onde se estranha a presença de uma "pessoa", imóvel, na fila da frente.

Escultura "Senhora da Humildade", capela da Imaculada.

Escultura "Senhora da Humildade", capela da Imaculada.

Joaquim Franco/SIC

Numa opção artística e teológica, o escultor norueguês Asbjorn Andresen representa Nossa Senhora sentada na assembleia, como qualquer crente que ali vai, a lembrar uma mãe ou uma avó, com os traços típicos de uma mulher simples e devota. O autor pretende assim dar humanidade ao símbolo da devoção mariana, distanciando-o dos pedestais altos. "O excesso de devoção mata a fé", diz o padre Joaquim Félix de Carvalho, teólogo que colaborou com o artista e com os arquitetos, explicando que "é preciso às vezes o distanciamento para o devido reconhecimento". Esta "mãe está a olhar para o altar", ou seja, "indica o caminho, que é o filho Jesus".

Capela Árvore da Vida.

Capela Árvore da Vida.

Joaquim Franco/SIC

Câmara da SIC regista pôr-do-sol, capela Árvore da Vida.

Câmara da SIC regista pôr-do-sol, capela Árvore da Vida.

Joaquim Franco/SIC

Noutra zona da cidade de Braga, a quilómetro e meio das capelas Cheia de Graça e da Imaculada, fica o seminário de S. Pedro e S. Paulo, para os seminaristas em fase final de formação. No último piso foi construída a pequena capela Árvore da Vida, da autoria dos mesmos arquitetos. É ainda mais discreta. Ali a arquitetura faz-se com o olhar e com o olfato. A madeira não foi tratada, não é totalmente lisa e respira, ganha volume e cheiro com o tempo, revela-se em cada imperfeição.

Capela Árvore da Vida.

Capela Árvore da Vida.

Joaquim Franco/SIC

Um "útero"? Um "casulo"? Uma "cápsula"? As paredes da Árvore da Vida, localizada num corredor de acesso aos dormitórios, são feitas de lâminas sobrepostas de madeira, separadas cerca de cinco centímetros cada uma. Não há portas. Sobe-se um degrau e entra-se por um canto, em diagonal ao espaço, ouvindo-se o ranger da madeira em cada passo.

Luz ao final do dia, capela Árvore da Vida.

Luz ao final do dia, capela Árvore da Vida.

Joaquim Franco/SIC

Quem passa do lado de fora vê quem está dentro, sem que, quem esteja dentro, perca a sensação de recolhimento. A decoração e os objetos litúrgicos sintonizam-se com o ambiente.

Na Reportagem Especial "Capelas Encantadas", um arquiteto e um teólogo explicam os mistérios visíveis e invisíveis destes locais de culto premiados internacionalmente. Dois projetos para três capelas, que colocam a cidade do barroco na vanguarda da arquitetura religiosa.

Inovação na arquitetura religiosa. As imagens das capelas premiadas em Braga

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