A Freedom Force, uma unidade de assalto da Guarda Nacional da Ucrânia, opera a partir de um antigo depósito de carvão transformado em centro de comando. É ali que se coordenam ataques, resgates e comunicações, num cenário que parece saído de um filme futurista. Mykola é o subcomandante da unidade.
"As condições de guerra agora significam que temos de entrar nessa zona, ou até atravessá-la, para enfrentar o inimigo."
Ao longe uma explosão deixa um tanque ucraniano inoperacional. O ataque levado a cabo por um drone russo destruiu as lagartas e deixou a tripulação encurralada. Pela rádio a Freedrom Force recebe o alerta: "estamos a fugir daqui". Durante 40 minutos, a equipa de Mykola tentou orientar os militares através de um drone com altifalante, enquanto os russos tentavam caçá-los com aeronaves não tripuladas. No final, os três homens chegaram a uma posição segura.
"O tanque está perdido, é a guerra. Veículos blindados, que custam milhões, são alvos fáceis para drones que valem uma fração do preço."
No mesmo dia, após um intenso bombardeamento com drones, dois soldados russos surgiram com bandeira branca, rendendo-se aos ucranianos. O mais surpreendente? Foram levados para o mesmo abrigo onde se escondiam os três militares ucranianos que tinham fugido do tanque.
"Havia tantos drones FPV, não sabíamos para onde correr. Tive muita sorte, foi a sorte grande."
A tecnologia não serve apenas para atacar. A Freedom Force recorreu ao seu único veículo terrestre não tripulado, o Termit 1, para retirar um soldado gravemente ferido. Durante oito horas, o drone enfrentou obstáculos e vigilância inimiga para transportar o militar até um posto médico.
Com drones a dominar os céus e agora também o solo, a guerra está a ser travada sem manuais nem protocolos. A capacidade de adaptação e a criatividade valem mais do que algumas armas, a tecnologia redefine estratégias e expõe vulnerabilidades.
