Saúde e Bem-estar

Cientistas conseguiram eliminar cancro do pâncreas em ratos geneticamente modificados 

ROBERT F. BUKATY

Descoberta abre portas para a criação de novos fármacos para combater o cancro pancreático.

A equipa de Mariano Barbacid, do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Investigações Oncolígicas (CNIO) em Madrid, chamou, esta terça-feira, os jornalistas para dizer que conseguiu eliminar, pela primeira vez, os cancros do pâncreas mais comuns em ratos geneticamente modificados.

Estes são os tumores que mais matam. Apenas 5% dos pacientes sobrevive cinco anos após o diagnóstico.

"Preocupa-se deixar falsas esperanças. Quero deixar muito claro que esta descoberta não vai servir para as pessoas que neste momento lutam contra o cancro do pâncreas" disse Mariano Barbacid ao El Pais. "O que permite (esta descoberta) é abrir novas portas", sublinhou.

Em mais de 95% dos casos a mutação do gene KRAS é indicador de cancro do pâncreas. A estratégia de Mariano Barbacid foi criar ratinhos geneticamente modificados com as mesmas mutações no gene KRAS e no TP53.

Voltou a modificar os genes dos animais para conseguir a inibição de uma molécula resultante da mutação do gene KRAS, chamada c-RAF e o bloqueio de outro oncogene, o EGFR, fator recetor de crescimento epidérmico.

Estas alterações bastante complexas permitiram induzir o tumor e posteriormente eliminá-lo em seis dos ratos tratados.

Descobriram ainda que, em alguns casos, não só o tumor parou de crescer, como desapareceu completamente.

"Até agora, o desaparecimento do cancro pancreático avançado nunca foi observado em nenhum modelo experimental", explica o CNIO num comunicado.

Este estudo abre assim portas para descobrir novos fármacos que ofereçam esperança aos doentes com cancro no pâncreas. Foi publicado na revista Cancer Cell, no passado dia 8 de abril.

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