Uma enfermeira norte-americana decidiu doar o útero para ajudar outra mulher a ser mãe. Depois de dar à luz três filhos, Heather Bankos, de 31 anos, decidiu que não queria voltar a engravidar.
A decisão passou inicialmente pela possibilidade de se ser barriga de aluguer, mas a ideia foi rapidamente abandonada por ter um trabalho de risco que inclui transportar pacientes em helicópteros e aviões, podendo colocar a gestação em risco.
Foi no final de 2017 que descobriu um programa na Baylor University Medical Center, em Dallas, no Texas, que realiza transplantes de útero e do qual já tinham resultados dois nascimentos e seis gravidezes.
Trabalho influenciou decisão
A decisão não foi difícil de tomar, especialmente depois de ter assistido, na unidade neonatal onde trabalha, a casos de recém-nascidos que não sobrevivem ou complicações que impedem as mulheres de voltar a engravidar.
Com o apoio do marido e dos filhos, Heather entrou em contacto com o centro médico em abril do ano passado e depois de ser submetida a uma série de exames, inclusive uma avaliação psicológica, doou o útero em fevereiro, quando encontrou uma paciente compatível.
Cirurgia por meio robótico
A cirurgia da norte-americana durou 11 horas. Por ter sido feita por meio robótico, o tempo de internamento hospitalar foi reduzido, assim como o risco de infeção e perda de sangue. Para além do útero, foram-lhe retirados o colo do útero e as trompas de Falópio. Questionada sobre a recuperação, Heather explicou que no início foi “muito dolorosa”, mas que atualmente já recuperou a 100%.
O transplante foi feito imediatamente e também a paciente que recebeu o órgão recuperou do procedimento. O programa não permite que a paciente seja identificada, nem que se encontre com Heather antes de dar à luz, mas as mulheres já trocaram cartas.
Grande parte das pacientes que participa neste programa sofre de uma síndrome caracterizada pela falta de útero ou foi afetada por cancro. À BBC do Brasil, o cirurgião Colin Koon, responsável pela cirurgia de Heather, confessou que estas dadoras são as suas "heroínas”.
“É inacreditável que alguém atravesse o país, pagando do próprio bolso, para se submeter a uma enorme cirurgia que vai ajudar alguém que nem conhece. Isto renova a minha fé na nossa espécie”, afirmou.
