Saúde e Bem-estar

O que deve saber sobre a vagina

Joshua Lott

Baseado no best-seller de Jen Gunter, conhecida como ginecologista residente do Twitter.

Existem muitos mitos falsos nas redes sociais acerca da vagina e uma mulher - obstetra-ginecologista - assumiu como missão corrigi-los.

Jen Gunter é obstetra-ginecologista praticante nos EUA e no Canadá há 25 anos. É uma feroz defensora da saúde da mulher e foi descrita como ginecologista residente do Twitter, uma vez que responde às dúvidas dos utilizadores através da sua rede social do Twitter @DrJenGunter.

O livro mais recente lançado pela médica - The Vagina Bible (a bíblia da vagina) - é um best-seller em vários países. Está cheio de conselhos práticos, projetados para capacitar as mulheres e ajudá-las a cuidar da saúde.

Quem tem vagina deve saber os cinco factos, de acordo com Jen Gunter, segundo a BBC:

1 - É importante conhecer a vagina a partir da vulva

A vagina está dentro do corpo - é o canal muscular que conecta o útero ao exterior. O que se pode ver de fora, a parte que toca na roupa, é a vulva.

Gunter considera que é crucial conhecer a terminologia correta e não usar eufemismos.

"Quando as pessoas não conseguem dizer a palavra vagina ou vulva, há uma implicação de que haja algo sujo ou vergonhoso nisso", diz Gunter.

2 - A vagina limpa-se sozinha

A ginecologista notou uma mudança nas atitudes das mulheres nos últimos dez anos, porque muitas acreditam que precisam de usar produtos para modificar o cheiro da vagina.

Na América do Norte, até 57 por cento das mulheres fizeram limpeza vaginal no ano passado e muitas dessas mulheres consideram que são incentivadas a fazê-lo pelo parceiro sexual. Mas Jen Gunter garantiu que não há necessidade de usar nada para limpar o interior da vagina.

"É um forno que se limpa automaticamente", afirmou a médica, que é contra os banhos perfumados. "É uma vagina, não uma pina colada", reforçou.

"Banhos perfumados são como cigarros para a vagina."

Até a água pode atrapalhar o delicado ecossistema, uma vez que pode aumentar o risco de contrair infeções sexualmente transmissíveis.

O vapor, outra tendência, não é apenas desnecessário, mas também pode causar queimaduras. A parte externa, a área da vulva, pode ser limpa quando necessário, com água.

O banho perfumado pode retirar a acidez, que age como uma impermeabilização protetora para a pele. Se as alterações hormonais durante a menopausa deixam as vaginas mais secas e desconfortáveis, é bom usar algo como coco ou azeite de oliva.

As células vaginais são substituídas a cada 96 horas - uma rotatividade muito mais rápida do que outras partes da pele - para que possa curar rapidamente.

3 - A vagina é como um jardim

A vagina contém um exército de bactérias boas que ajudam a mantê-la saudável.

"O microbioma vaginal é como um jardim de todos os tipos diferentes de bactérias que funcionam juntas para manter o ecossistema vaginal saudável", explicou a médica Gunter.

As boas bactérias produzem substâncias que criam um ambiente levemente ácido, que impede a entrada de bactérias más, além do muco que mantém tudo lubrificado.

É por isso que limpar o interior com um pano antibacteriano não é bom - é importante manter o equilíbrio das bactérias.

Da mesma forma, a ginecologista desaconselha o uso de secadores de cabelo para secar a vulva: a pele deve estar húmida naquela zona.

4 - Os pelos púbicos estão lá por alguma razão

A médica notou uma tendência crescente para as mulheres removerem todos os pelos púbicos. Isso está a ajudar a deixar os piolhos púbicos desabrigados, mas também há riscos para a depilação genital.

"Quando as pessoas se depilam ou se barbeiam estão a causar um trauma microscópico na pele".

"Também vemos cortes, abrasões e infeções devido à depilação púbica".

A ginecologista aconselha quem faz depilação a não mergulhar duas vezes os paus de madeira na cera, o que pode espalhar bactérias entre os clientes.

"Os pelos púbicos têm uma função, provavelmente é uma barreira mecânica e uma proteção para a pele".

"Também podem ter [os pelos púbicos] um papel no funcionamento sexual, porque cada pelo púbico está ligado a uma terminação nervosa - é por isso que dói removê-los".

5 - Envelhecer pode afetar a vagina

Após anos de menstruação e talvez filhos, os ovários param de produzir óvulos e a menstruação para. A quantidade de hormonas no corpo que mantém as mulheres férteis diminui drasticamente - e os baixos níveis de estrogénio, em particular, afetam a vagina e a vulva.

Esses tecidos, que antes se mantinham húmidos devido ao muco, podem atrofiar e a secura resultante pode causar dor durante o sexo devido à falta de lubrificação.

Isso pode parecer deprimente, mas a médica referiu que a maioria das mulheres pode obter ajuda para isso com especialistas. E algumas também conseguem resolver a situação com lubrificantes vendidos sem receita.

"Eu acho que é realmente importante que as mulheres saibam disso".

"Não precisam de sofrer."

Existe um mito (sustentado por pesquisas fracas) de que fazer sexo ajuda a manter as coisas em boas condições, mas o microtrauma dos tecidos vaginais pode deixá-los vulneráveis à infeção.

  • “Entregues à Sorte” – Quarto episódio
    27:01