Saúde e Bem-estar

Medicamento experimental atrasa declínio cognitivo em doentes de Alzheimer

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Persistem dúvidas sobre os efeitos secundários do novo fármaco, que poderá vir a ser aprovado nos Estados Unidos já em janeiro.

Esta pode ser uma nova esperança para os doentes com Alzheimer. Um estudo divulgado esta semana revela que o lecanemab, medicamento em fase experimental, retarda o declínio cognitivo em pacientes com este tipo de demência. A pesquisa, publicada no The New England Journal of Medicine, baseia-se nos resultados realizados em 1.800 pessoas, entre os 50 e os 90 anos de idade, numa fase inicial da doença.

A farmacêutica japonesa Eisai e a norte-americana Biogen anunciaram no início deste outono que o medicamento lecanemab parecia ter bons resultados, uma informação aguardada com expectativa depois de sucessivas deceções na busca de melhores tratamentos para o Alzheimer.

Agora, as empresas estão a divulgar os resultados completos do estudo realizado com quase 1.800 pessoas numa fase inicial da doença. Os dados foram apresentados numa conferência sobre Alzheimer em São Francisco e publicados no The New England Journal of Medicine. A comunidade científica está entusiasmada e os reguladores norte-americanos podem aprovar o medicamento já em janeiro.

De duas em duas semanas, durante 18 meses, os participantes do estudo receberam lecanemab intravenoso ou uma infusão simulada. Os investigadores estabeleceram uma escala de 18 pontos que mede a capacidade cognitiva e funcional. Aqueles que receberam lecanemab registaram um declínio mais lento - uma diferença de menos de meio ponto nessa escala, concluiu a equipa liderada pelo Christopher van Dyck, da Universidade de Yale.

Com uma outra forma de medição, verificou-se que o lecanemab atrasou o agravamento da doença em cerca de cinco meses ao longo do estudo, indicou Michael Irizarry, da Eisai, à Associated Press. Além disso, os recetores de lecanemab tiveram 31% menos probabilidade de avançar para o próximo estágio da doença durante o estudo.

Qual o impacto na vida dos pacientes e familiares?

Apesar dos resultados, os médicos estão divididos sobre qual a diferença que estas mudanças podem fazer na vida dos pacientes e familiares.

"É improvável que a pequena diferença relatada neste estudo seja percetível por pacientes individuais", considerou Madhav Thambisetty, do Instituto Nacional do Envelhecimento.

Muito investigadores acreditam que uma melhoria significativa exigiria pelo menos uma diferença de um ponto nessa escala de 18 pontos.

Ron Petersen, especialista em Alzheimer na Mayo Clinic, considera que o efeito deste fármaco “modesto, mas clinicamente significativo”.

Os resultados deste teste são importantes porque mostram que uma droga que ataca a proteína chamada amiloide - considerada uma das causas da doença de Alzheimer - pode retardar a progressão da doença, disse Maria Carrillo, diretora científica da Associação Alzheimer dos Estados Unidos, citada pela Associated Press.

"Todos entendemos que isto não é uma cura, mas estamos todos a tentar realmente entender o que significa retardar a doença de Alzheimer, porque é a primeira vez que tal acontece", disse Carrillo.

Qualquer atraso no declínio cognitivo no início pode ser significativo. "Quanto tempo temos com os nossos entes queridos numa fase da doença em que ainda podemos aproveitar a família, passeios, férias, listas de desejo", considerou.

Quais os efeitos colaterais do novo fármaco?


Os medicamentos direcionados à proteína amiloide podem causar efeitos colaterais que incluem inchaço e sangramento no cérebro, e o lecanemab também. Um tipo desse inchaço foi observado em cerca de 13% dos recetores. A farmacêutica Eisai refere que a maioria desse efeitos era leve ou assintomática.

Além disso, duas mortes foram reportadas entre pacientes que tomaram lecanemab e que também tomavam medicamentos anticoagulantes. A Eisai considerou, na terça-feira, que essas mortes não podem ser atribuídas ao medicamento para Alzheimer.

Ainda assim, Petersen, especialista da Mayo Clinic, afirmou que se o lecanemab for aprovado para uso nos Estados Unidos, evitará prescrevê-lo a pessoas que tomam anticoagulantes, pelo menos inicialmente.

Westend61

De acordo com uma publicação da Acta Médica Portuguesa, Revista Científica da Ordem dos Médicos, o número estimado de portugueses com demência, com mais de 60 anos, foi superior a 160 mil, dos quais 50 a 70% com Alzheimer, segundo dados relativos a 2013.

Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em setembro do ano passado indicava que 55 milhões de pessoas em todo o mundo com mais de 65 anos tinham demência (cerca de 35 milhões com Alzheimer), projetando 139 milhões para 2050.

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