Saúde e Bem-estar

Criado aço inoxidável modificado que pode eliminar bactérias sem antibióticos

O processo é "fácil e económico", reduzindo a dependência de produtos químicos e antibióticos. As infeções bacterianas podem originar doenças graves e levar à morte. Em 2019, as infeções resistentes a medicamentos foram responsáveis por 1,27 milhões de mortes.

Criado aço inoxidável modificado que pode eliminar bactérias sem antibióticos
Georgia Tech

Investigadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta, nos Estados Unidos, desenvolveram um processo inovador que poderá proporcionar defesas contra infeções bacterianas sem antibióticos ou produtos químicos. A investigação foi publicada na revista "Small".

A presença de microorganismos nocivos nas superfícies, especialmente em ambientes hospitalares em que há doentes vulneráveis, vem reforçar a importância de controlar a contaminação de bactérias.

Adicionalmente, a resistência aos antibióticos é um problema crescente e uma ameaça global à saúde.

Por isso, era urgente apostar-se na investigação. O estudo norte-americano desenvolvido na Georgia Tech traz boas notícias. O processo é "fácil e económico", reduzindo a dependência de produtos químicos e antibióticos.

A nova técnica aproveita propriedades antibacterianas naturais do cobre e cria estruturas no aço inoxidável para matar eficazmente bactérias, como a E. coli e a Staphylococcus.

Anuja Tripathi, investigadora da Georgia Tech e principal autora do estudo, tinha de desenvolver uma superfície bactericida sem antibióticos e eficaz contra bactérias Gram-negativas e Gram-positivas. Enquanto a eliminação de bactérias Gram-positivas sem produtos químicos é simples, com as bactérias Gram-negativas não é bem assim devido às suas membranas celulares "espessas" e multicamadas.

A equipa de investigadores criou uma abordagem que impede as bactérias de desenvolverem resistência aos medicamentos, é explicado no estudo. Primeiro, criou estruturas nanométricas que perfuram as membranas celulares das bactérias nocivas. Depois, depositou iões de cobre na superfície do aço inoxidável através de estruturas incrivelmente pequenas, semelhantes a agulhas. Este material interage com as membranas celulares bacterianas e acaba por as comprometer, aumentando a eficácia antibacteriana.

Esta abordagem resultou em 97% de redução de E. coli Gram-negativa e 99% de redução de bactérias Gram-positivas Staphylococcus epidermis.

Desta forma, o aço inoxidável pode ser utilizado para ferramentas e superfícies comuns de ambientes hospitalares que se contaminam facilmente, como tesouras, fórceps, maçanetas, corrimões e lavatórios.

A aplicação de uma fina camada de iões de cobre no aço inoxidável, um material amplamente utilizado em ambientes públicos, é económica é mantém a atividade antibacteriana.

As superfícies revestidas com cobre demonstraram uma "excelente atividade antibacteriana", conclui a investigação. No entanto, não é amplamente usado para combater a contaminação das superfícies porque é caro. Já a aplicação de uma fina camada de iões no aço inoxidável é económica, sem comprometer a função antibacteriana.

O processo eletroquímico desenvolvido por esta equipa de investigadores, além de ser útil na indústria hospitalar, pode também ser benéfico na alimentar.

As infeções bacterianas podem originar doenças graves. Em 2019, as infeções resistentes a medicamentos (antibióticos, antivirais, antifúngicos e antiparasitários) foram responsáveis por 1,27 milhões de mortes e contribuíram para 4,95 milhões de mortes adicionais, concluiu um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Com estes resultados, tornaram-se uma das principais causas de morte em todas as faixas etárias.