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Cavaco Silva apoia Seguro mas antes dizia-o "inseguro, medroso e sem capacidade de liderança", como garantiu Ventura?

O antigo Presidente da República, que apoiou Marques Mendes na primeira volta, garantiu que António José Seguro é "uma pessoa honesta e educada" anunciando assim o seu sentido de voto. Ventura lembrou, no debate desta terça-feira, que em tempos Cavaco Silva considerou Seguro um homem sem "capacidade de liderança". A SIC Verifica.

Cavaco Silva apoia Seguro mas antes dizia-o "inseguro, medroso e sem capacidade de liderança", como garantiu Ventura?

Numa nota escrita enviada à agência Lusa, na segunda-feira (26 de janeiro), Aníbal Cavaco Silva, que apoiou Luís Marques Mendes na primeira volta, refere que sempre viu em António José Seguro "uma pessoa honesta e educada, qualidades de um político que muito continuo a valorizar”.

O antigo Presidente da República anunciou assim o sentido de voto nesta segunda volta das eleições presidenciais, algo que não surpreendeu André Ventura.

No debate desta terça-feira, o adversário de António José Seguro decidiu lembrar: "o mesmo Cavaco Silva disse de António José Seguro - estou a citar Cavaco Silva - 'um líder partidário simpático, correto, mas, perante problemas, quaisquer problemas, revela-se inseguro, medroso, sem qualquer capacidade de liderança".

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Será que Cavaco Silva já teve esta opinião de Seguro?

“Quinta-feira e outros dias”. Foi neste livro de memórias em que o ex-Presidente da República recordou o período de 2011 a 2015 - desde a chegada de Pedro Passos Coelho a primeiro-ministro à criação da solução governativa que ficou conhecida como 'geringonça' - no qual foram criticadas grandes figuras: de António Costa a Paulo Portas, sem esquecer António José Seguro.

O agora candidato à Presidência da República não foi poupado pelo antigo Presidente. Neste livro de memórias, Seguro é descrito como “um líder partidário simpático e correto nas conversas, mas que, perante os problemas, se revela inseguro, medroso e sem capacidade de liderança”.

Apesar de, à luz das circunstâncias atuais, afirmar que Seguro é uma "pessoa honesta", em 2018 Cavaco Silva recordava o seguinte: "A declaração de António José Seguro ultrapassou, pela negativa, tudo o que eu podia imaginar”.

O antigo Presidente da República referia-se à forma como soube pela televisão que o então líder do PS tinha decidido “a rutura unilateral do processo de diálogo para um Compromisso de Salvação Nacional”.

"As impressões que registei por escrito depois de desligar a televisão, sob o impulso do que ouvira, são disso reflexo: uma demagogia politicamente pouco honesta, contrária ao espírito construtivo em que tinham decorrido as negociações”, regista-se no livro de memórias.

E mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Agora, Cavaco Silva sublinha o contexto em que esta posição relativamente a Seguro é tomada.

"Repito o que disse aquando da primeira volta: estas eleições são muito importantes para o futuro do país. Num tempo de tantas incertezas e de graves ameaças, Portugal precisa de um Presidente da República de bom senso e credível na cena internacional que contribua para a defesa dos interesses nacionais", afirmou.

A SIC Verifica que é...

Cavaco Silva disse, no livro de memórias "Quinta-feira e outros dias", que Seguro era um líder "que, perante os problemas, se revela inseguro, medroso e sem capacidade de liderança”. Estas afirmações foram feitas à luz do seu desempenho como secretário-geral do Partido Socialista. Contudo, no contexto atual, segundo o antigo Presidente da República, Seguro é um melhor candidato face ao adversário André Ventura para os tempos "de incerteza" que se vivem.