As Histórias

“Não desanimem e não tenham medo de pedir ajuda"

O testemunho de uma sobrevivente de cancro em altura de pandemia

Teresa Anastácio tem 60 anos e é reformada. Aos 37, foi surpreendida com uma notícia que a pôs à prova: Tinha sido diagnosticada com cancro da mama. Na altura, o problema resolveu-se de forma relativamente rápida: foi operada e fez radioterapia, no IPO de Lisboa. A partir daí, a vida de Teresa continuou, com normalidade, até ao dia em que desconfiou que algo não estaria bem.

Vinte anos tinham passado desde aqueles tempos difíceis e já distantes em que tinha enfrentado, pela primeira vez, a doença.

Teresa recorda-se, com clareza, do momento em que a sua vida voltou a estremecer: “Estava numa sessão de fisioterapia e o especialista que me estava a tratar detetou que havia qualquer coisa estranha”. Foi logo fazer exames e, depois da biópsia, o resultado veio positivo. Cancro da mama, outra vez. “Foi difícil passar por tudo novamente, mas desta vez eu já sabia para o que ia”, confessa. Foi operada, fez quimioterapia e radioterapia, desta vez num hospital privado da capital portuguesa. Neste momento, já não está em tratamento ativo, está livre da doença há dois anos. “Agora tenho que fazer consultas de rotina, durante cinco anos”, explica.

Foi difícil passar por tudo novamente, mas desta vez eu já sabia para o que ia”

O cancro deixou-lhe uma sequela para a vida. Após o período de stress a que esteve submetida, entre tratamentos e receios, foi-lhe diagnosticada artrite reumatoide e, mesmo que já não esteja em tratamento ativo contra o cancro, por precaução, Teresa e a família permanecem em casa o máximo de tempo possível devido ao novo coronavírus. Para se abastecer de medicamentos, por exemplo, Teresa pode pedir que estes sejam entregues ao domicílio ou, em alternativa, pode ligar previamente e, assim que chega à farmácia, o seu pedido já está aviado. Desta forma evita ou minimiza o contacto com outras pessoas. O mesmo se passa com a ida ao supermercado: normalmente outro elemento da família encarrega-se desta tarefa, mas se tiver que ser ela, toma todos os cuidados.

Não tenham medo de pedir ajuda”

Para Teresa a família sempre foi o seu porto de abrigo, no entanto, da segunda vez que ficou doente, decidiu procurar ajuda psicológica. “Os psicólogos conseguem ajudar-nos a combater os nossos receios e, agora, todos vivemos momentos de grande ansiedade. Não tenham medo de pedir ajuda”, explica.

Por último, a sobrevivente deixa um conselho a todos os doentes: “Não desanimem, se todos fizerem um esforço, tudo passará. Há tanto para fazer em casa! Ocupem a mente”.

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