As Histórias

Rita, cancro de mama: “Contar à minha mãe o que se passava foi a coisa mais difícil que fiz na vida”

Esta é a história de Rita que, aos 36 anos, recebeu o diagnóstico de um cancro da mama. Cinco anos depois, está curada mas diz que vai ter ”sempre medo”

Foi por acaso, enquanto falava com uma amiga ao telefone, que Rita Pires descobriu um quisto ligeiramente acima da mama. Era quase Natal e tinha então 36 anos. “Senti logo medo mas pensei: vou deixar passar as festas e depois marco consulta no médico”, conta.

Saudou a entrada do novo ano, não suspeitando o tempo de provações que o futuro próximo lhe reservava.

“A primeira coisa que o ginecologista me disse é que não devia ser nada. Mas pelo sim pelo não, encaminhou-me para o Hospital de Cascais”, onde lhe prescreveram vários exames.

A indicação era para extrair o quisto, Rita foi operada e no tempo certo retomou as suas rotinas habituais. Voltou ao seu local de trabalho, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, “sentia que estava tudo bem, relaxei.”

Um mês passou até à consulta pós – cirurgia. E foi aí que lhe deram a notícia. Os resultados dos exames revelavam que tinha um cancro. “Fiquei em choque, já não estava à espera.”

Contar à mãe foi o mais difícil

Teve de contar à família. “Contar à minha mãe o que se passava foi a coisa mais difícil que fiz na vida”.

Rita foi interiorizando o problema à sua maneira. “Nunca me perguntei, porquê eu? Olhava à volta, para os meus, e tranquilizava-me pensar: Graças a Deus que é comigo…”

A médica propôs-lhe a colheita de óvulos, procedimento recomendado às mulheres em idade de procriar para prevenir os efeitos dos tratamentos que podem causar infertilidade.

E começou a quimioterapia de 15 em 15 dias. O cancro era triplo negativo, um tipo de cancro que atinge habitualmente mulheres mais jovens e se dissemina rapidamente.

Cabelo e sobrancelhas caíram mas Rita conta que não se sentia mal fisicamente. “Nunca vomitei, não inchei, não sentia grandes diferenças.” por isso continuava a sair, ia para a praia, fazia caminhadas.

E um dia, pensava que o pior já tinha passado, reparou noutro quisto. Novo susto, nova inquietação. A notícia não era boa. Tratava-se de uma recidiva e era preciso tirar uma mama. “Aí, fui-me abaixo psicologicamente.”

Respeitar o que o corpo pede

Rita foi operada, fez radioterapia e mais quimioterapia. Só muito mais tarde se decidiu pela reconstrução da mama.

Hoje, cinco anos passados, está curada. Mas diz que vai ter “sempre medo”, é uma luta que “não acaba.”

Não gosta que lhe chamem “guerreira”. “Não, porque eu não pedi esta guerra, sou refém dela. Não me identifico com aquelas coisas que as pessoas costumam dizer. Antes disto, eu já era uma pessoa boa, acreditava nas coisas que continuo a achar certas, já adorava viver, sabia como era importante dizer que se gosta das pessoas todos os dias.”

O que aprendeu, sobretudo, é a importância de “nos permitirmos sentir o que realmente sentimos”.

E a quem recebe um diagnóstico de cancro recomenda: “Respeitem o que o corpo vos pede e, claro, atenção à prevenção!”

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