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Doentes com cancro estão a chegar tarde ao hospital

Há doentes oncológicos que estão a chegar aos hospitais com doença já muito avançada, nesta fase de desconfinamento, alerta o médico Fernando Rodrigues, diretor do Serviço de Pneumologia do Hospital Amadora-Sintra

José Fernandes

Em entrevista à agência Lusa, o clínico diz que nalguns casos, “praticamente já não é possível” tratar. Manifestando a sua preocupação, sobretudo em relação aos casos de cancro do pulmão, recomenda: “é hora de recuperar os doentes “não covid” que nos preocupam, nomeadamente muitos doentes graves da nossa consulta de insuficientes respiratórios”, particularmente os que sofrem de doença pulmonar obstrutiva crónica e de outras patologias que “durante este ano praticamente desapareceram” das consultas de pneumologia.

Ao longo do último ano, grande número de doentes evitou ir ao hospital com medo de ser contaminado com covid-19. Simultaneamente, grande número de consultas e de exames ficou por realizar.

Segundo a Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), o impacto da pandemia teve como consequência uma quebra de 60 a 80% dos novos diagnósticos de cancro. Estimativas da Liga Portuguesa contra o Cancro indicam que mais de mil cancros da mama, do colo do útero, colorretal e outros, ficaram por diagnosticar em 2020, resultado da redução dos rastreios devido à situação pandémica.

Nas consultas realizadas através do telefone, os médicos recomendam, por vezes, aos doentes que se desloquem ao hospital, mas muitos preferem esperar, segundo Fernando Rodrigues.

Numa campanha intitulada “O Cancro não espera em casa”, em janeiro, a Sociedade Portuguesa de Oncologia já alertara para a importância do diagnóstico, em tempo útil, , recomendando aos doentes que não tivessem medo de se deslocar ao hospital para continuarem a ser vigiados e para que os diagnósticos não fossem atrasados.

Essa campanha visava sensibilizar a população para estar atenta aos sintomas de cancro e para não ter receio de procurar ajuda médica, sempre que necessário. Mas a recusa de muitos doentes em se deslocarem ao hospital ou ao centro de saúde manteve-se e agora desconhece-se a situação de muitos deles, diz Fernando Rodrigues, especificando que “às vezes convocamo-los e não vêm às consultas e outros não sabemos exatamente como é que estão se não recorrerem ao hospital ou se não forem enviados pelo médico de família.”

De acordo com o patologista Manuel Sobrinho Simões, uma das consequências da pandemia é que “tem vindo a reduzir a prevenção secundária devido à diminuição do diagnóstico precoce.” Por outro lado, também diminuíram as cirurgias terapêuticas de vários tipos de cancro, o que tem contribuído para um aumento das doenças oncológicas avançadas

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