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Contra a obesidade para prevenir o cancro

Um terço dos cancros mais comuns podem ser prevenidos se adoptar uma alimentação saudável, praticar exercício físico e não engordar.

Combata a obesidade e previna o cancro. É um dos conselhos da nutricionista Diana Pereira Alexandre, do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa.

O “consumo alimentar desequilibrado e excessivo, aliado ao sedentarismo” são factores promotores do cancro, alerta a nutricionista, notando que “cerca de um terço dos cancros mais comuns podem ser prevenidos através da dieta, do peso corporal saudável e do exercício físico”. “Não é a ação isolada de um alimento específico que previne o cancro”, devendo considerar-se “o efeito de todos os alimentos que fazem parte da dieta habitual”.

A trabalhar há 13 anos como nutricionista, Diana Alexandre considera que “os ganhos advêm do padrão de consumo alimentar e dos efeitos aditivos e/ou sinérgicos dos vários componentes da dieta, associados a outros fatores de estilo de vida.” No que respeita aos doentes oncológicos, nota que um estado nutricional adequado é essencial na fase de tratamento, o que “em certas situações é um verdadeiro desafio”, afirma.

O reconhecimento do “papel fulcral” da nutrição no “funcionamento do organismo” e na “manutenção da saúde”, bem como “no tratamento de várias doenças” levou Diana Alexandre, de 36 anos, a especializar-se nesta área.

“A alimentação saudável e equilibrada diminui o risco de doenças crónicas não transmissíveis, incluindo alguns tipos de cancro”, afirma, explicando de que forma é que a alimentação pode contribuir para prevenir e combater a doença.

Agustin Marcarian

As restrições alimentares não fundamentadas após o diagnóstico de cancro são, na sua perspetiva, um erro muito comum. A nutricionista destaca a importância de “adequar a alimentação aos sintomas associados à doença e/ou aos tratamentos, o que varia muito entre os vários tipos de cancro e fatores individuais.” É que “os conselhos nutricionais são baseados em evidência científica e são ajustados em função da situação clínica e do padrão alimentar de cada doente”, esclarece, frisando que “numa fase de doença controlada, o objetivo é que os doentes mantenham ou alcancem um peso corporal adequado, através de uma alimentação saudável e variada.”

Contrariando a ideia por vezes defendida de que comer bem sai mais caro, Diana Alexandre diz que “apesar de certos alimentos considerados saudáveis como o peixe e os hortofrutícolas frescos terem um custo superior, as quantidades a consumir não têm de ser necessariamente elevadas.”

No caso dos vegetais e das frutas, por exemplo, “a oferta é muito variada e o importante é incluir fontes de várias cores (vermelho, roxo, verde, branco e amarelo/laranja) para se obter os benefícios nutricionais, sem que para isso tenha que se recorrer obrigatoriamente aos de preço mais elevado”, nota, adiantando: “Se houver organização no planeamento das refeições diárias é possível cumprir os pressupostos de uma alimentação equilibrada sem gastar muito dinheiro.”

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