Depois de um período de remissão, o cancro pode voltar e o da mama não é exceção. A associação Evita alerta para a necessidade de apostar na informação e no apoio psicológico.
"Pode ser na mesma mama, no local da cicatriz, pode ser já nos gânglios linfáticos ou na outra mama ou então pode voltar a aparecer nos órgãos mais distantes e falamos mesmo já da metastização", explica Tamara Milagre, presidente da Evita.
É sinónimo de medo para as mulheres que passam ou passaram por tratamentos, tal como explicam à SIC Miriam Brice, sobrevivente da doença, e Beatriz Viegas, doente.
"Ainda que todas nós que tenhamos um cancro, seja ele qual for, da mama ou outro tipo de cancro, nós vamos ter sempre esta ideia ou vamos ter sempre este medo. Porque nós sabemos, lá no fundo, ainda que queiramos negar isso, que pode acontecer", explica Beatriz.
Já Miriam dá conta de que, mesmo depois de todos os tratamentos, as doentes não sabem "se volta e não há uma resposta cabal a esta questão".
Os primeiros e mais recentes números sobre o impacto da recidiva na saúde mental recolhidos pela associação Evita desvendam uma realidade preocupante: 46% das mulheres que já tiveram um diagnostico de cancro da mama vive com medo da recorrência e pensa nesta possibilidade pelo menos uma vez por mês. A maioria das mulheres inquiridas queixa-se de falta de conhecimento sobre a recidiva, estando isso ligado diretamente aos sentimentos de medo e ansiedade descritos por mais de metade das mulheres.
A oncologista Susana Sousa explica que entre os vários agentes, os médicos têm um papel determinante na informação e apoio às mulheres, no que toca à recidiva, "tendo a sensibilidade de conversar com os doentes e os serviços estarem organizados de forma a que haja este acompanhamento psicológico".
Apesar do esforço o medo ainda impera na maioria dos casos. Mais de metade das mulheres ainda recusa tratamento para a recorrência por dúvidas quanto à eficácia.

