Um caso de varíola dos macacos detetado na Bélgica tem ligações ao surto em Portugal. Investigadores do Instituto de Medicina Tropical da Bélgica e da Universidade de Antuérpia divulgaram, num fórum de discussão para análise e interpretação da evolução molecular e epidemiologia de vírus, que um indivíduo de 30 anos, “com histórico de viagem para Lisboa, Portugal” se apresentou numa clínica belga com lesões cutâneas.
“O seu parceiro, desde então, desenvolveu sintomas semelhantes. As investigações iniciais da amostra retirada das lesões foram negativas para Herpes Simplex e Treponema pallidum (bactéria)”, referem os investigadores.
Testou, depois, positivo à varíola dos macacos. Os investigadores levaram a cabo uma análise filogenética preliminar que mostrou “claramente” que o genoma obtido pertence ao subgrupo do vírus da África Ocidental e “está intimamente relacionado com o genoma recém-carregado do surto em Portugal”.
O cruzamento de dados foi possível porque investigadores do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) tinham publicado também, há dois dias, no mesmo fórum, a versão preliminar do estudo sobre a sequenciação do genoma do vírus da varíola-dos-macacos.
Os cientistas portugueses confirmam também que a primeira análise filogenética realizada indica que o vírus pertence ao subgrupo da África Ocidental, tal como identificaram os belgas, e que está relacionado com a exportação do vírus da varíola dos macacos “da Nigéria para vários países em 2018 e 2019, nomeadamente, o Reino Unido, Israel e Singapura”.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta sexta-feira que há cerca de 80 casos confirmados de infeção pelo vírus Monkeypox em 11 países, afirmando que estes surtos são atípicos porque estão a ocorrer em países não endémicos.
Portugal contabiliza 23 casos de infeção pelo vírus Monkeypox segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), que aguarda resultados relativamente a outras amostras.
