Varíola dos macacos

Varíola dos macacos: Espanha adota vacinação que permite multiplicar as doses por cinco

Varíola dos macacos: Espanha adota vacinação que permite multiplicar as doses por cinco
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Desta forma será possível vacinar mais pessoas com as doses disponíveis atualmente.

Espanha vai administrar a vacina da varíola dos macacos usando a técnica que permite multiplicar por cinco vezes as doses atuais, anunciaram esta segunda-feira as autoridades de saúde pública espanholas.

A Comissão de Saúde Pública de Espanha, o país europeu com mais casos de varíola dos macacos e o segundo do mundo com mais registos, depois dos Estados Unidos, reuniu-se esta segunda-feira para deliberar sobre esta matéria e decidiu seguir a autorização dada pela Agência Europeia do medicamento (EMA, na sigla em inglês), anunciada na sexta-feira.

A EMA considerou que a vacina autorizada na União Europeia contra a varíola dos macacos pode ser administrada também como injeção intradérmica numa dose mais baixa, permitindo assim proteger mais pessoas.

O parecer da EMA surgiu depois de a task force de emergência da agência ter analisado dados sobre aquela vacina e concluído que a mesma, atualmente só autorizada para injeções subcutâneas (sob a pele), também poder ser utilizada por via intradérmica (injeção logo abaixo da camada superior da pele), desde que numa dose menor, apontando que, desta forma, e face ao "fornecimento atualmente limitado da vacina", mais pessoas podem ser vacinadas.

A task force analisou dados de um ensaio clínico envolvendo cerca de 500 adultos, que comparou a vacina em função da administração por via intradérmica ou por via subcutânea -- duas doses, com um intervalo de quatro semanas entre cada dose --, apontando que as pessoas vacinadas por via intradérmica receberam um quinto (0,1 ml) da dose subcutânea (0,5 ml), "mas produziram níveis de anticorpos semelhantes aos que receberam a dose subcutânea mais elevada".

A vacina Imvanex foi autorizada pela primeira vez em circunstâncias excecionais em 2013 para a proteção contra a varíola e, na sequência de um pedido para alargar a sua utilização, foi autorizada para proteção contra a doença varíola dos macacos, ou varíola dos macacos, em 22 de julho passado.

As autoridades espanholas decidiram esta segunda-feira que poderão receber esta vacina, por injeção intradérmica (0,1 ml em duas vezes separadas por 28 dias), os maiores de 18 anos, com exceção de grávidas e pessoas imunodeprimidas, a quem continuarão a ser administrados 0,5 ml por via subcutânea.

Apesar de as autoridades espanholas de saúde pública só terem tomado esta decisão esta segunda-feira, os serviços de saúde da região de Madrid estavam já a usar a administração intradérmica desde sexta-feira, logo após a autorização dada pela EMA.

A Comunidade de Madrid é a região autónoma espanhola com mais casos confirmados de varíola dos macacos e as poucas vacinas disponíveis estavam a impedir a resposta às reais necessidades de controlo da doença e a administração das duas doses que a marca definiu para a vacinação completa.

Espanha recebeu até agora 12.240 doses da vacina e prevê que cheguem mais 5.000 ao país até ao final do ano, segundo o Ministério da Saúde. Já foram registados 6.119 casos de varíola dos macacos em Espanha, o número mais alto da Europa, que levaram, à hospitalização de 178 pessoas e provocaram a morte de dois homens.

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