Varíola dos macacos

Detetado um caso em novembro de varíola dos macacos, mas vírus não está erradicado

Detetado um caso em novembro de varíola dos macacos, mas vírus não está erradicado
THOM LEACH / SCIENCE PHOTO LIBRA

Apesar da baixa circulação do vírus atualmente, as autoridades de saúde recomendam "fortemente a vacinação das pessoas em risco".

Apenas um caso de Varíola de Macacos foi detetado em novembro em Portugal, o balanço "mais reduzido" desde o início da epidemia, segundo o Ministério da Saúde, advertindo que o vírus não está erradicado e que se mantém a vigilância.

"É um balanço muito positivo, mas não significa a erradicação do vírus, pelo que se manterá a vigilância", afirma o Ministério da Saúde num comunicado que assinala os seis meses de resposta ao surto em Portugal, que contabilizou até à data 948 casos.

Apesar da baixa circulação do vírus atualmente, as autoridades de saúde recomendam "fortemente a vacinação das pessoas em risco", lembrando que a vacina se mantém com marcação prévia, mediante o cumprimento de critérios de elegibilidade.

A vacina foi disponibilizada em julho, inicialmente apenas para contactos de casos, dada a escassez do número de vacinas a nível global, e posteriormente foi sendo alargada a outras pessoas em maior risco, sendo que, até ao momento, foram vacinadas 1.190 pessoas.

O Ministério da Saúde salienta que a resposta a este surto reforçou a importância da colaboração entre profissionais de saúde, associações de base comunitária, pessoas e setores mais afetados pela infeção. Reconhecendo o contributo decisivo da sociedade civil nesta resposta, a secretária de Estado da Promoção da Saúde, Margarida Tavares, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e o delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo, António Carlos Silva, visitaram na quinta-feira o centro comunitário Checkpoint LX do GAT - Grupo de Ativistas em Tratamentos, um dos locais onde foi dado o alerta precoce para a circulação do vírus em Portugal.

A visita das autoridades de saúde foi destacada pelo GAT, afirmando, em comunicado, que "as governantes quiseram conhecer o espaço e as pessoas que estão na linha da frente da resposta comunitária" numa altura em que "o surto parece estar controlado, mas não terminado".

O GAT refere que foi num dos seu serviços que foi rastreado o primeiro caso de Varíola dos Macacos em Portugal e que, até ao momento, os vários serviços desta organização comunitária identificaram 98 pessoas infetadas (10% do total nacional).

O Grupo de Ativistas em Tratamentos é uma das organizações não-governamentais autorizadas a fazer vacinação dos casos identificados como prioritários, tendo já inoculado, total ou parcialmente, 831 pessoas.

"Não seria possível obtermos tão bons resultados se não tivéssemos um serviço de proximidade com a comunidade mais afetada, nomeadamente o GAT Checkpoint LX, com técnicos e pares que são também homens que têm sexo com homens, o que cria um espaço de segurança e acolhimento único, sem o qual não teria sido possível chegarmos a tantas pessoas desta comunidade", afirma Luís Mendão, ativista e fundador do GAT, citado no comunicado.

Portugal foi um dos primeiros países a detetar casos de infeção de Varíola dos Macacos.

"Tratando-se de um surto com características diferentes de situações anteriores, e que viria a tornar-se uma emergência de saúde pública de âmbito internacional, foi necessário, em Portugal e nos outros países, identificar os principais sintomas, períodos de incubação e vias de transmissão, de forma a informar e definir medidas de prevenção eficazes e interromper cadeias de transmissão", refere o Ministério da Saúde.

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