"Tratou-se de uma iniciativa pacífica, apolítica e apartidária apesar de já ter visto alguns políticos por aí. Mas eu não tenho nada a ver com essa gente", disse ainda, numa referência à presença de dirigentes do PS, PCP, BE, MPT e PND.
A iniciativa foi promovida e divulgada através da rede social Facebook e mais de 600 internautas manifestaram-lhe apoio enquanto que a petição para a remoção do aterro já foi assinada por mais de mil pessoas.
Entre as pessoas que formaram o cordão humano esteve o vereador responsável pela área do Ambiente na Câmara Municipal do Funchal, Costa Neves, que disse à Lusa estar ali "como cidadão".
"Participo aqui como cidadão que se preocupa com o Funchal e queria relembrar dois aspetos que acho que têm sido esquecidos. Um deles é que todo este volume de inertes que aqui está tem um potencial económico muito grande, ou seja, pode ser retirado e aproveitado para obras da reconstrução", sustentou.
Para Costa Neves, com o aproveitamento do entulho "composto essencialmente por basalto puro e duro", haveria uma poupança mas também assim se evitaria "explorar o basalto em pedreiras em formações naturais", ou seja, haveria " uma salvaguarda ambiental".
"Realçaria ainda que a baía do Funchal não é pertença do Governo Regional, a baía do Funchal é um património de todos e nós, enquanto aqui estamos de passagem, somos apenas fiéis depositários de um património que é de todos e que temos o dever de entregar o melhor possível às gerações futuras", concluiu.
As pessoas concentraram-se no cais da cidade do Funchal tendo-se depois dirigido ao aterro, onde formaram um cordão humano que durou cerca de uma hora e onde foi respeitado um minuto de silêncio pelas 48 vítimas mortais e pelos seis desaparecidos no temporal de há um ano.
Na área do "depósito temporário de inertes" que cobre a praia de calhau rolado que antes exista a leste da cidade da capital madeirense, o Governo Regional decidiu construir um novo cais acostável de 300 metros.
O projeto prevê ainda a construção de uma nova praça, três praias de calhau rolado, novas proteções marítimas e a formação de uma única foz para as ribeiras de João Gomes e de Santa Luzia.
Numa nota, o presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, minimiza o "escarcéu agora promovido" pelos oponentes do projeto e declara que o seu Executivo "fará mesmo o anunciado, grite quem gritar, pois até é necessário para alavancar a economia e o emprego".
Lusa
