Tragédia na Madeira

PCP diz que ainda há muito por fazer na Madeira para recuperar da tragédia

O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, considerou hoje na Madeira que a recuperação das zonas destruídas pelo temporal de há um ano está "muito longe de ser resolvida", afirmando que há localidades "onde o dinheiro não chegou".

"Ouvimos lá no Continente ministros e responsáveis do Governo dizer que a reconstrução vai bem encaminhada e está quase feita", afirmou hoje o presidente da bancada comunista, durante uma visita a Vasco Gil e Trapiche, Funchal.



Um ano depois do temporal que causou a morte de mais de 40 pessoas e 600 desalojados, o PCP, que realiza as suas jornadas parlamentares na Madeira, diz que a recuperação ainda não chegou a algumas zonas.



No Trapiche, a derrocada da encosta e as águas da ribeira que galgaram o curso destruíram várias casas e causaram a morte de 13 pessoas, que algumas dezenas de moradores locais homenagearam hoje à tarde, com velas acesas.



Entre lágrimas, Fátima Vieira, uma das habitantes, descreveu que Trapiche foi "o pior lugar", onde o temporal causou "cadáveres e muito sofrimento".



"Sabemos que aqui não chegou nenhuma reconstrução e nenhum dinheiro. Queremos mostrar aquilo que não está feito e que não há perspetiva de isso acontecer, quer da parte do Governo Regional, quer do Governo da República",
disse Bernardino Soares, defendendo que "é preciso acudir a esta população, reconstruir estas casas e segurar as ribeiras e escarpas".



O deputado regional comunista Edgar Silva criticou o que diz ser a falta de intervenção das autoridades e alertou que há muitas pessoas a viver "em perigo iminente".



"O dinheiro não chegou aqui, foi só para a Avenida do Mar, para os ingleses", disse.



Bernardino Soares garantiu que a bancada comunista vai levar à Assembleia da República "esta situação dramática, tão esquecida e muito longe de ser resolvida".



Antes, em Vasco Gil (Santo António), um dos moradores, José Duque afirmou que, apesar de promessas, a população continua à espera de obras naquela localidade.



"Ninguém veio ver isto", lamentou-se, relatando que a recuperação das casas e dos caminhos tem sido feita pelos habitantes.



Ainda durante a tarde, os deputados do PCP deslocaram-se à marginal do Funchal, onde milhares de pessoas se uniram num cordão humano para contestar a criação de um aterro, a leste do cais, formado pelos inertes do temporal e que o Governo Regional quer aproveitar para a construção de um novo cais.



"Queremos prestar a nossa solidariedade para com as preocupações de tantas pessoas que manifestam o seu desacordo com a existência desta plataforma artificial, que devia ser retirada", explicou Bernardino Soares, que afirmou preocupação "com os efeitos que pode ter em futuras enxurradas, porque é nesta zona onde desaguam as principais ribeiras do Funchal, que assim ficarão obstruídas."



Junto ao cordão humano, os deputados comunistas cruzaram-se com o antigo candidato presidencial José Manuel Coelho - que foi militante do PCP -- que não cumprimentou os ex-camaradas, afirmando apenas: "o fascismo dura há 78 anos".



Lusa