Jornalista
Conversa encantadora com a encantadora Maria José, a partir do sétimo andar no prédio dela, com o rio Lima pousado lá em baixo abrindo chão em Viana do Castelo, cidade-manchete de tantas semanas informativas, a propósito de demolições e homicídios, mas acima de tudo a propósito de lições de vida. A Maria José viveu durante sete dias sem água, luz, sem gás, telecomunicações, nem permissão para sair à rua, dentro da sua própria casa, paga pelos seus pais, com os impostos em dia, as contas em dia, porque se recusa a vender/ceder a casa ao Estado só porque sim. De um prédio de trezentas pessoas sobram ela e mais oito. Podia discursar ódio e outros sinónimos, mas não, ao fim de oito dias de clausura forçada. Contou-nos uma história tranquila. A infância nos anos 70. A vida adulta dependurada noutro tempo mais vizinho do nosso, deste em que nos encontramos, dentro de uma notícia, e lá fomos, eu, a Ana e a Maria José de porta em porta, a Portugal inteiro, onde houvesse um televisor, nós poderíamos lá estar.