Nuno Loureiro, o português que foi assassinado, esta terça-feira, nos Estados Unidos da América (EUA), era um cientista com um percurso notável. Especialista em energia de fusão, passou por diferentes instituições de prestígio e foi reconhecido com vários prémios.
Nuno Loureiro morreu, depois de ter sido baleado à porta de casa, em Boston. O físico português, de 47 anos, era natural de Viseu, mas vivia nos Estados Unidos há cerca de 10 anos, com a família (era casado e pai de três filhos).
O cientista dirigia o laboratório do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e era especialista em energia de fusão - isto é, a energia gerada pela união de núcleos atómicos (como o processo que alimenta o Sol e as estrelas).
Um percurso de destaque
O português começou por formar-se em Engenharia Física Tecnológica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, onde foi investigador no Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear.
Depois, seguiu-se o doutoramento em Física no Imperial College London, no Reino Unido, tendo ainda feito trabalho de pós-doutoramento no britânico Centro de Energia de Fusão UKAEA Culham e no Laboratório de Física de Plasma de Princeton, já nos EUA.
Nuno Loureiro venceu importantes prémios nos Estados Unidos, como o Prémio Carreira da Fundação Nacional de Ciência (NSF), em 2017 e, já no último ano, o Prémio Presidencial de Início de Carreira para Cientistas e Engenheiros, atribuído pelo Chefe de Estado norte-americano.
"A energia que mudará o curso da História"
Agora no MIT, era diretor do Centro de Ciência do Plasma e Fusão, professor de Ciência e Engenharia Nuclear e de Física. Desenvolvia trabalho em física teórica e as suas aplicações em fusão nuclear - que envolve a fusão de átomos para criar uma poderosa explosão de energia e que promete ser a fonte para uma energia limpa, segura e barata.
Segundo a sua informação na página oficial do MIT, o português interessava pelas dinâmicas do plasma magnetizado – o chamado “quarto estado físico da matéria”. Desde “reconexão magnética, geração e amplificação de campos magnéticos, confinamento e transporte em plasmas de fusão e turbulência em plasmas fortemente magnetizados e fracamente colisionais”, é referido.
O trabalho de investigação do português incidia, sobretudo, sobre o comportamento destes plasmas, em particular a turbulência e fenómenos astronómicos, como erupções solares, e o desenho de dispositivos no campo da fusão nuclear.
De acordo com o Instituto Superior Técnico, os avanços na fusão nuclear “poderão vir a oferecer novas soluções contra as alterações climáticas", possibilitando a produção de “grandes quantidades de energia com impactos ambientais reduzidos”. De tal forma que o próprio Nuno Loureiro acreditava que a energia de fusão mudará “o curso da História da humanidade".

