Cultura

Novo filme de Manoel de Oliveira no Festival de Veneza

A nova curta-metragem do realizador Manoel de  Oliveira, "O Velho do Restelo", foi selecionada para a 71. edição do Festival  de Cinema Veneza, que começa em agosto, e será exibida fora de competição,  foi hoje anunciado. 

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© Jean-Paul Pelissier / Reuters

Contactada pela agência Lusa, a produtora O Som e a Fúria indicou que  esta será a estreia mundial da nova obra do cineasta que continua a filmar  aos 105 anos. De acordo com a sinopse da curta-metragem: "É um mergulho livre e sem  esperança na História tal qual como a conhecemos, como um sedimento fértil,  na memória de Manoel de Oliveira". 

O cineasta reúne num banco de jardim do século XXI, vários personagens  e escritores históricos: Dom Quixote, o poeta Luís Vaz de Camões, o poeta  Teixeira de Pascoaes e o romancista Camilo Castelo Branco. "Juntos, levados pelos movimentos telúricos do pensamento, eles deambulam  entre o passado e o presente, derrotas e glórias, vacuidade e alienação,  em busca da inacessível estrela", acrescenta o texto sobre o filme. 

"O Velho do Restelo" vai ser exibido na seleção oficial, fora de competição,  do Festival Internacional de Cinema de Veneza, que decorrerá de 27 de agosto  a 06 de setembro de 2014, e será apresentada na seleção oficial, fora de  competição. 

Ainda segundo a produtora, os atores são Luís Miguel Cintra (Camões),  Ricardo Trepa (Dom Quixote), Diogo Dória (Teixeira de Pascoaes) e Mário  Barroso (Camilo Castelo Branco). Na equipa técnica estão colaboradores de longa data de Manoel de Oliveira:  Renato Berta na fotografia, Henri Makoff no som, Christian Marti na decoração,  Adelaide Trêpa no guarda-roupa e Valérie Loiseleux na montagem. 

O filme é uma produção da O Som e a Fúria em coprodução com a distribuidora  Francesa Epicentre Films, entidade que distribui os filmes de Manoel de  Oliveira em França, desde "Cristóvão Colombo, O Enigma" (2008). 

O Som e a Fúria sublinha, num comunicado, que "a produção deste filme  só foi possível através do patrocínio do secretário de Estado da Cultura,  Jorge Barreto Xavier, que reconheceu o mérito cultural deste projeto de  Manoel de Oliveira, e, pelas mesmas razões, através do patrocínio da ministra  da Cultura e Comunicação de França, Aurélie Filippetti". 

O filme teve também apoio da Câmara Municipal do Porto e da Universidade  Católica do Porto. No ano passado, em entrevista à revista francesa Cahiers du Cinéma,  Manoel de Oliveira admitia que lhe faltava financiamento: "Fazer este filme  é como ganhar uma batalha: É difícil. A conjuntura económica trava e fragiliza  a montagem financeira do filme". E deixava um lamento: "Eu penso que no país há uma grande indiferença  pelo que já realizei. Tanto faz que o meu cinema exista ou não exista".

Na entrevista, o realizador explicou que, com "O Velho do Restelo",  quer refletir novamente sobre a História de Portugal, em particular sobre  "a Invencível Armada e o presente". 

A rodagem teve início em abril deste ano, no Porto, cidade onde o cineasta  nasceu, em 1908, tendo criado até hoje mais de três dezenas de filmes. 

 

     

 

Lusa