O Governo, por indicação do primeiro-ministro, António Costa, decretou na terça-feira um dia de luto nacional pela morte da escritora Agustina Bessa-Luís, hoje, aos 96 anos, no Porto, disse à agência Lusa fonte do executivo.
Agustina Bessa-Luís nasceu em 15 de outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante, e encontrava-se afastada da vida pública, por razões de saúde, há cerca de duas décadas.
Funeral sai amanhã da Sé Catedral do Porto para Peso da Régua
A cerimónia fúnebre de Agustina Bessa-Luís decorrerá na terça-feira na Sé Catedral do Porto seguindo depois para o cemitério do Peso da Régua, Vila Real, revelou hoje o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís.
Em comunicado, a direção explica que o corpo da escritora ficará em câmara ardente na Sé Catedral do Porto, a partir das 10:30 de terça-feira. Às 16:00 "serão celebradas exéquias solenes", presididas pelo bispo do Porto.
"Finda a cerimónia religiosa, o corpo seguirá para o Cemitério do Peso da Régua, onde será sepultado na intimidade da família", refere o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís.
"O Presidente da República curva-se perante o seu génio"
Em comunicado oficial publicado no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa, expressa a sua tristeza.
Há personalidades que nenhumas palavras podem descrever no que foram e no que significaram para todos nós.
Agustina Bessa-Luís é uma dessas personalidades.
Como criadora, como cidadã, como retrato da força telúrica de um
povo e da profunda ligação entre as nossas raízes e os tempos presentes e vindouros.De “antes quebrar do que torcer” testemunhou, com o rigor inexcedível da sua escrita, nunca corrigida, o fim de um Portugal e o nascimento de outro.Um e outro feitos do Portugal eterno.
E é a esse Portugal eterno que ela pertence.
O Presidente da República curva-se perante o seu génio e expressa aos seus familiares as mais sentidas condolências.
"O Poço e a Estrada", biografia escrita por Isabel Rio Novo
O nome de Agustina Bessa-Luís destacou-se em 1954, com a publicação do romance "A Sibila", que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, que constam de uma lista de galardões que inclui igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra "Os Meninos de Ouro", e que voltou a receber em 2001, com "O Princípio da Incerteza I - Joia de Família".
A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.
Sobre Agustina, o ensaísta Eduardo Lourenço, em declarações à Lusa, no final da cerimónia da entrega do Prémio Eduardo Lourenço à autora, há pouco mais de três anos, disse que é "incomparável", é a "grande senhora das letras portuguesas".
Agustina recebeu ainda os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004.
Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988.
Com Lusa

