Cultura

Morreu o músico angolano Carlos Burity

Twitter @wusangola

Tinha 67 anos.

O músico angolano Carlos Buriti morreu esta quarta-feira em Luanda, vítima de doença prolongada, disse o diretor nacional da Cultura, Euclides da Lomba.

O cantor, de 67 anos, que se encontrava internado na Clínica Girassol, na capital angolana, foi y foi, com Carlitos Vieira Dias e Bonga, um dos principais nomes do Novo Semba em Angola, iniciou a sua carreira no início dos anos 70 do século passado, e em 1974 gravou, com o Grupo Semba, uma seleção de temas angolanos que ficaram na história da música popular angolana.

Em 1983, Burity juntou-se ao "Canto Livre de Angola", um projeto do cantor brasileiro Martinho da Vila, que o levou ao Brasil com outros nomes importantes da música angolana e com quem integrou o agrupamento Semba Tropical, que viria a gravar um álbum de sucesso em Londres.

Depois de um longo período sem gravar, Burity ressurgiu com um êxito assinalável em 1991, com "Angolaritmo", lançando no ano seguinte o "Carolina", "Massemba", em 1996, "Uanga" em 1998, "Zuela ó Kidi", em 2002; "Paxiiami", em 2006, e mais recentemente, "Malalanza", em 2010.

Paulo Flores recorda Carlos Burity como a voz do orgulho angolano

O músico angolano Paulo Flores lamentou a perda do cantor Carlos Burity, enaltecendo o seu contributo para a construção da identidade angolana.

"Serás eterno, Carlos Burity. Agradeço profundamente todo o teu contributo para a construção da identidade que nos une. O teu Semba foi sempre a voz que me faz suportar o orgulho em ser angolano", escreveu Paulo Flores, também ele um dos cantores mais populares deste género musical, na sua conta de Instagram. "A dor não deixa que as palavras definam o tamanho da perda de um gigante, a verdadeira e definitiva voz do Semba", referiu ainda o artista angolano.

Paulo Flores recordou ainda a morte, na véspera, do "gigante" Waldemar Bastos, outro dos expoentes da música angolana.

"Cabe a nós não deixar morrer a nossa música e a nossa cultura, em nome destes gigantes que nos deixam a todos mais pobres, mais tristes, mas mais seguros do que somos e queremos ser. Obrigado, Waldemar, obrigado, Burity, sempre nos iremos socorrer da vossa arte para nos reencontramos com os nossos princípios e a nossa emoção", enalteceu Paulo Flores.