Cultura

Sessão de Cinema: “Tempos Modernos”

Sessão de Cinema: “Tempos Modernos”
Chaplin em "Tempos Modernos" (1936): um humor que transcendeu a sua época
Um artigo de opinião de João Lopes.

Já no período sonoro, mas ainda esteticamente ligado aos modelos do cinema mudo, este é um dos grandes clássicos de Charlie Chaplin.

Na passagem do mudo para o sonoro (ou seja, finais da década de 1920 e durante os primeiros anos da década seguinte), o cinema viveu um dos seus momentos mais atribulados — e também mais criativos — de transfiguração técnica e narrativa. Nesse contexto, Charlie Chaplin (1889-1977) foi um dos grandes resistentes. Porquê? Porque, para ele, o som era uma excrescência inútil — os filmes mudos tinham já inventado uma linguagem própria que não necessitava de “complementos” técnicos.

Claro que o ponto de vista de Chaplin era, e continua a ser, discutível. O certo é que, a partir da sua visão, surgiram filmes como “Tempos Modernos”, produção já do período sonoro (a estreia ocorreu a 5 de fevereiro de 1936, nos EUA), que talvez possamos definir como um filme mudo… com sons!

Agora disponível em streaming, “Tempos Modernos” é, em boa verdade, um objecto que há muito superou tais questões, de tal modo a sua genialidade transcende a época em que surgiu. A história do trabalhador de uma fábrica (Chaplin, claro) que vai vivendo cada vez mais alienado, quase como se fosse uma peça das máquinas com que lida, possui uma energia simbólica que não se desvaneceu.

Afinal de contas, o criador do mais célebre Vagabundo da história do cinema colocava em cena os contrastes e, no limite, as contradições que podem surgir entre o delírio da industrialização e a dimensão humana dos seus protagonistas. Através do seu fino e delicado humor, face às convulsões da nossa civilização, Chaplin celebrava o mais puro ideal humanista — o seu humor é contagiante e eterno.

Filmin

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