Cultura

Festival Sol da Caparica “foi um sucesso”? Bandas falam em "caos"

Festival Sol da Caparica “foi um sucesso”? Bandas falam em "caos"
Facebook Sol da Caparica
Terminou esta segunda-feira o Sol da Caparica, o festival que levou música da lusofonia à Margem Sul. O balanço da organização é positivo, mas também houve queixas, problemas técnicos, horários alterados em cima da hora, protestos em palco e concertos interrompidos.

Prometia cinco dias de sol, música de vários países onde se fala o português, comédia, surf, dança, e até um dia especial para os mais pequeninos no Parque Urbano da Costa da Caparica. Mas, pelo meio, também houve tempestades pontuais na Margem Sul, que se fizeram ouvir através das redes sociais.

Falando em situações "normais" e pontuais, a promotora do festival Sol da Caparica, o Grupo Chiado, destaca que esta foi a edição que teve a “maior lotação de sempre: 150 mil pessoas em cinco dias".

À SIC Notícias, o promotor Zahir Assanali fez um balanço muito positivo desta 7.ª edição do festival. “Foi um sucesso, registámos a maior lotação de sempre e tivemos uma megaoperação no terreno. Criámos 700 postos de trabalho, o turismo local esgotou e contámos com mais de 100 artistas”.

Questionado sobre os problemas registados e denunciados por alguns músicos e bandas, Zahir Assanali admitiu que "no primeiro dia" do festival “falhámos na abertura de portas por uma questão de segurança e isso fez com que os horários descambassem”. Questionado sobre que questão de segurança foi essa não esclareceu, optando por destacar que: “Assumimos [a responsabilidade] e pedimos desculpa, e depois do primeiro dia recuperámos".

Confrontado ainda com as críticas do público nas redes sociais, em particular sobre a organização do festival, o promotor diz que se deve apenas ao facto de ser uma "massa crítica muito exigente" a da Margem Sul.

Mas será que foi só isso? Não. Na opinião de várias bandas, o festival aconteceu por “milagre” porque o que lá encontraram “foi um caos”. Graças ao "profissionalismo dos artistas, acabou por correr mais ou menos bem".

Que o digam Os Quatro e Meia, que durante a atuação manifestaram o seu descontentamento: “Esta noite estamos aqui em cima do palco por vocês porque pagaram bilhetes. Acabou-se o politicamente correto! Não brincam mais connosco”.

À SIC Notícias, o manager da banda disse sem papas na língua que "tudo correu mal" e explicou recorrendo a uma metáfora. “É como ir a um restaurante e o pedido vem errado, a comida vem tarde, a bebida não foi a que pedimos e, no final, a conta chega errada. [Houve] todo o tipo de questões. Tudo correu mal, sabemos que não houve ninguém mal intencionado, mas só atuamos por respeito ao público e também por respeito a pessoas que fazem parte da organização e por quem temos consideração”.

A banda acabou por se tornar na voz da revolta de outros artistas que desde quinta-feira (primeiro dia do festival) tiveram problemas. Foi o caso de Miguel Ângelo que subiu ao palco “com um atraso de três horas”, mas o pior ainda estava para vir.

Três horas depois [da hora do concerto], o Miguel começou o seu espetáculo e ao fim de duas canções, o sistema de som e luzes desligou-se. Isto não é a primeira vez que acontece, mas normalmente ao fim de um minuto a coisa resolve-se. [Acontece que no Sol da Caparica] ao fim de 20 minutos ainda não estava a questão resolvida. Tivemos de desistir e o Miguel fez questão de fisicamente ir pedir desculpa ao público.

Segundo a organização, o palco Free Now teve no primeiro dia do festival "um pico de tensão e o quadro foi abaixo". Mas se Miguel Ângelo ainda tocou duas músicas, Paulo Furtado, vocalista The Legendary Tigerman, nem ao palco subiu, tendo sido obrigado a cancelar o concerto pelo atraso que o festival já levava.

Voltamos ao recinto à hora do jantar, cerca das 22:30, e o palco já estava com atraso. Às 00:00 começámos a perceber que não íamos conseguir tocar, o Miguel Ângelo estava a entrar em palco, ia tocar 50 minutos e fizemos as contas. Estávamos com três horas de atraso, na melhor das hipóteses [o Paulo] ia subir ao palco às 1:20/30, se não atrasasse mais”, revela à SIC a agente do músico.

Apesar do “caos” de que muitas bandas e músicos falam, cancelamentos só houve mesmo o The Legendary Tigerman e do Dj Burutuma no primeiro dia. Mas outros incidentes sucederam-se. Avancemos até sábado, terceiro dia do festival e o dia em que os Karetus iam atuar no palco eletrónico, "uma espécie de tenda de circo".

Apesar da promessa de que o palco iria ter as condições exigidas pela banda, isso não aconteceu e, ao contrário do que foi prometido, não houve mudança do palco.

Subimos [ao palco], atuámos cerca de meia hora, e houve pelo menos três situações de que me apercebi. Parámos a música, [primeiro devido ao incidente com as] baias de segurança, depois por desmaios na plateia devido ao calor, e depois por causa do incidente com o extintor. Alguém do público disparou um extintor, aí acabou o concerto.

A banda refere ainda, nestas declarações à SIC Notícias, que num espaço que era uma espécie de tenda do circo com lotação para cerca de três mil pessoas estavam “15 mil pessoas, não faz sentido” e “desde a nossa atuação o palco nunca mais foi usado”, revelam.

A verdade é que esta 7.ª edição do Sol da Caparica se realizou precisamente no mesmo espaço das anteriores mas tinha, este ano, mais palcos e segundo a própria organização registou uma lotação recorde. Mas Zahir Assanali assegurou à SIC Notícias que registaram ao longo dos cinco dias de festival “nenhum caso de segurança ou de saúde” de assinalar.


Sol da Caparica? “Nunca mais”

As opiniões dividem-se. Se para a promotora do festival estamos perante “um sucesso”, para as bandas foi algo inédito pelos piores motivos. Tanto assim é que poucas admitem voltar a atuar no Sol da Caparica.

“Com esta equipa, com esta promotora, nunca mais”, garantem Os Quatro e Meia. E o Miguel Ângelo? “A menos que no convite venha já a informação toda que precisamos, não estamos disponíveis”.

No mesmo sentido foram as respostas The Legendary Tigerman e dos Karetus. “Não sei, temos de ponderar, é preciso perceber que condições vão estar reunidas”, diz a manager de Paulo Furtado.

Não com esta organização, com esta promotora”, garante Carlos Silva dos Karetus, salientando que este ano tinham “promessas e garantias desde janeiro e aconteceu o que aconteceu em palco". Mais, refere, “o artista é que fica em cheque e o público está sempre em primeiro lugar”.

A promessa, neste momento, da promotora é de “melhorar o que falhámos e criar mais condições, nomeadamente de horários, do alinhamento de artistas”, disse à SIC Notícias o promotor Zahir Assanali, mas sem adiantar mais pormenores.

[Notícia atualizada dia 17/8 com informação sobre mais um cancelamento no primeiro dia do festival]

Últimas Notícias
Mais Vistos