Cultura

Sessão de Cinema: “Charada”

Sessão de Cinema: “Charada”
Audrey Hepburn em "Charada" (1963): entre comédia e "suspense"
Com Cary Grant e Audrey Hepburn, eis um exemplo nostálgico de uma sábia aliança entre comédia e “suspense”.

“Charada” é aquilo que se poderá chamar, nem que seja por terna ironia, um filme fora de tempo. Estamos, afinal, perante uma variação sobre o modelo clássico da comédia romântica de Hollywood, tal como triunfo sobretudo ao longo da década de 40… mas com data de 1963!

De facto, o herói já não é um jovem aventureiro ainda com traços da adolescência, mas o veterano Cary Grant (1904-1986). Mais do que isso: há um óbvio contraste entre ele e a vedeta feminina, Audrey Hepburn (1929-1993), que viria a ser consagrada, um ano mais tarde, com “My Fair Lady”, sob a direcção de George Cukor.

O certo é que nada disso impede que “Charada” seja um exercício de elegância e ironia, dirigido com mão de mestre por Stanley Donen, também ele um profissional fora do seu universo habitual — ele era, importa não esquecer, um nome associado a alguns dos títulos mais lendários da idade de ouro do musical, incluindo o emblemático “Serenata à Chuva” (que realizara, em 1952, na companhia de Gene Kelly).

Assim, esta história de uma jovem viúva ameaçada por aqueles que lhe querem roubar a herança do marido, consegue a proeza de combinar as delícias das comédia clássica com uma intriga de “suspense” à boa maneira de Hitchcock. Agora disponível em streaming, “Charada” pode simbolizar um estilo de cinema popular que agora vemos ou revemos com inevitável nostalgia.

Filmin

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