Apesar de o DVD ter sido secundarizado (para não dizer abandonado) pelos mais poderosos agentes do mercado cinematográfico, ainda há quem continue apostado em manter e valorizar as suas edições. Acontece agora através de um lançamento com chancela da Midas Filmes: “Alma Viva”, de Cristèle Alves Meira, distinguido com nada mais nada menos que sete Prémios Sophia referentes a 2022, incluindo melhor filme do ano.
Produzido por Pedro Borges, trata-se da estreia na longa-metragem da luso-francesa Cristèle Alves Meira, aliás num investimento criativo com uma forte componente pessoal e familiar. Assim, “Alma Viva” centra-se na personagem de Salomé (interpretada por Lua Michel, filha da realizadora), filha de emigrantes que, de acordo com a tradição, está de visita aos familiares que vivem numa aldeia de Trás-os-Montes… Não sendo autobiográfico, o filme colhe uma parte da sua inspiração nas memórias familiares de Cristèle Alves Meira.
Tendo em conta os clichés dramáticos e simbólicos que, não poucas vezes, envolvem os retratos dos emigrantes portugueses, o mínimo que se pode dizer é que “Alma Viva” propõe uma visão bem diferente. E o facto de Salomé ser o centro dos acontecimentos está longe de ser indiferente para o clima emocional do filme — a partir do momento em que a sua avó morre, ela vai descobrir as fronteiras ténues entre tradição e modernidade, entre a percepção realista dos lugares e as memórias fantasmáticas da família…
A meio caminho entre realismo e fantástico, “Alma Viva” acaba por ser uma delicada aventura de descoberta, ora ligando, ora afastando as gerações. Daí a importância dramática das interpretações, nomeadamente da já citada Lua Michel e ainda Ana Padrão — ambas distinguidas nos Sophia, respectivamente como melhor actriz e melhor actriz secundária. Lançado em vários mercados internacionais, nomeadamente França e Brasil, recorde-se que “Alma Viva” foi revelado na Semana da Crítica, durante o Festival de Cannes de 2022.

