Desporto

Lewis Hamilton recorda racismo sofrido na infância: "Atiravam-me bananas"

O piloto Lewis Hamilton em Monza, Itália.
O piloto Lewis Hamilton em Monza, Itália.
Luca Bruno

O piloto de Fórmula 1, coroado sete vezes como campeão do mundo, revelou vários momentos “traumatizantes e difíceis” da sua infância e juventude.

O piloto de fórmula 1 Lewis Hamilton revelou vários episódios de racismo de que foi alvo, durante o período em que foi estudante, descrevendo essa época como “a mais traumatizante e difícil” da sua vida.

A carreira do piloto inglês tem sido repleta de títulos e conquistas, não fosse ele detentor de sete campeonatos mundiais de Fórmula 1. Apesar da glória e do estrelato atual, a vida de Hamilton nem sempre foi tão “colorida” assim.

Em conversa com Jay Shetty, um podcaster inglês, no podcast “On Purpose” e citado pela Sky News, a estrela do automobilismo abriu o jogo e recorreu a várias memórias de infância para contar episódios menos felizes que vivenciou.

Hamilton partilhou que as primeiras situações de racismo que enfrentou remontam aos 6 anos de idade, quando era uma de apenas três crianças negras da sua escola.

Aí, revelou, “crianças maiores, mais fortes, rufias, agarravam-me várias vezes”, antes de contar um ato específico de violência de que foi alvo:

“Os golpes constantes, as coisas que te são atiradas, como bananas"

“Os golpes constantes, as coisas que te são atiradas, como bananas, ou as pessoas que usavam a ” N-word" [referindo-se à palavra n***a um termo considerado racista na língua inglesa] de forma tão relaxada. As pessoas que me chamavam mestiço e eu não sabia onde me encaixava. Isso para mim foi difícil".

O racismo foi algo que permaneceu de mãos dadas com o seu percurso escolar. No ensino secundário, contou, “haviam seis ou sete miúdos negros num universo de 1.200 e três de nós éramos chamados ao gabinete do diretor muitas vezes. O diretor repreendia-nos, especialmente a mim”.

O heptacampeão mundial disse também que quando era mais jovem sentia que “o sistema estava contra" ele e que, já nessa altura, “remava contra a maré”.

Guardava o sofrimento e as emoções negativas para si, uma vez que não queria que o pai “pensasse que não era forte”.

As vitórias fora da pista

Com o passar dos anos o piloto transformou a tristeza e o sentimento de impotência na sua força motriz e na vontade de mudar o paradigma social.

O atleta da Mercedes criou a “Mission 44” com o objetivo de dar voz e poder a jovens desprivilegiados, dando-lhes oportunidades escolares e profissionais.

Para além disso, lançou também, em parceria com a Mercedes, a iniciativa de cariz social e solidário “Ignite”, que tem o intuito de promover a integração e a inclusão no automobilismo.

O inglês é o único piloto negro do mundial de Fórmula 1 e continua a condenar e a ser uma voz ativa contra o racismo e a discriminação no desporto-rei do automobilismo.

“Resume-se à educação e, é claro, à ignorância. As pessoas devem vir, devem sentir-se seguras, devem sentir-se incluídas e devem ser capazes de seguir quem quer que seja que se queira seguir. […] ” Não interessa o teu sexo, a tua sexualidade, a cor da tua pele. Deveriam estar todos presentes apenas para se divertirem", atirou Hamilton.

Fim da carreira à vista?

O piloto teve, durante a época transata, um rendimento abaixo do expectável, já que não conseguiu atingir o lugar mais alto do pódio em nenhuma das 22 etapas do circuito mundial.

Agora, em março próximo, vai entrar no seu último ano de contrato com a Mercedes, não sendo ainda certo que renovará com a construtora alemã. É, contudo, um cenário viável e que poderá confirmar-se, entretanto.

Ainda no podcast “On Purpose” o inglês confessou que será “muito, muito difícil quando parar de correr”, uma vez que o faz há 30 anos.

“Nada vai igualar estar num estádio, estar numa corrida, estar no auge do desporto e estar na frente da grelha ou passar pela grelha e aquela emoção que eu sinto com isso”.

Acrescenta ainda que, quando terminar a carreira um, ficará um “buraco” por preencher na sua vida e que, por isso, está já à procura de alternativas “recompensadoras” que possam “substituir” o automobilismo profissional.

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