Desporto

Ex-capitã da seleção espanhola garante que telemóvel de Jenni Hermoso foi hackeado

Verónica Boquete conta à revista Der Spiegel que o telemóvel da jogadora espanhola foi pirateado de forma a comprometer a atleta e a ilibar Luis Rubiales, após o polémico beijo durante os festejos da conquista do Mundial de futebol.

Veronica Boquete durante uma entrevista em Florença, Itália.
Veronica Boquete durante uma entrevista em Florença, Itália.
ALBERTO LINGRIA

Verónica Boquete, antiga internacional espanhola, garante que o telemóvel de Jenni Hermoso foi hackeado de forma a prejudicar a jogadora que está no centro da polémica que envolve Luis Rubiales, ex-presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF).

As declarações da atleta que atualmente alinha pela Fiorentina foram feitas à revista alemã Der Spiegel. Na entrevista ao meio de comunicação desportivo, a futebolista alega que o telemóvel de Jenni Hermoso foi pirateado de forma a comprometer a jogadora espanhola e a ilibar Luis Rubiales.

Boquete aponta ainda que quem o fez “teve acesso às fotografias e vídeos” de Hermoso.

"É assim que é a guerra. Sabíamos que não havia regras. O telemóvel da Jenni foi pirateado. Tiveram acesso a fotografias e vídeos. Depois, divulgaram coisas que podiam ser usadas para atacar a vítima", declara a antiga antiga internacional, citada pelo El Mundo.

A atleta defende que como a FIFA proibiu Rubiales de contactar a jogadora, o presidente demissionário “procurou outros caminhos” para o fazer.

Demissão de Rubiales é “batalha ganha” contra o machismo no futebol

Ainda na mesma entrevista, Boquete refere que a demissão de Rubiales representa uma “batalha ganha” contra o machismo no futebol, mas que a “guerra por alterações profundas” no âmbito do futebol feminino está a ser perdida.

A antiga capitã da “La Roja” questiona ainda a nomeação de Montse Tomé para o cargo de selecionadora principal, alegando que até então a treinadora foi apenas adjunta de Jorge Vilda e que demorou a distanciar-se do técnico que se sagrou campeão do mundo.

"Tolerou demasiado e distanciou-se demasiado tarde de Rubiales. Não tenho dúvidas de que é uma boa treinadora. Mas, será que é a melhor que se pode encontrar para a melhor equipa do mundo? Não me parece. Há outras com mais experiência", declara.

De acordo com a jogadora, a mensagem que se envia com esta decisão é de que “como agora é uma mulher que treina, as jogadoras já não se podem queixar” e que isso "não é o que as atletas querem".

Boquete tece ainda críticas à forma “tardia” e “insuficiente” como os futebolistas da seleção masculina se pronunciaram sobre o polémico beijo de Rubiales a Jenni Hermoso. A atleta entende que o tema é “indiferente” para os jogadores, visto que o ex-presidente da federação espanhola “não os vais beijar na boca, nem humilhar”.

"[Os homens] Não têm de lutar todos os dias pela igualdade de tratamento. É difícil para eles serem corajosos", acrescenta.

FIFA anunciou abertura de processo disciplinar

Recorde-se que no domingo, Luis Rubiales revelou que apresentou a renúncia ao cargo de presidente da RFEF, bem como às funções que desempenhava na UEFA, na sequência da polémica causada pelo beijo na boca que deu à jogadora Jenni Hermoso, após a inédita vitória da Espanha na final do Mundial feminino, em 20 de agosto.

A FIFA anunciou a abertura de um processo disciplinar a Luis Rubiales cinco dias mais tarde, por possível violação do Código de Ética do organismo que rege o futebol mundial, tendo posteriormente suspendido o líder federativo espanhol durante 90 dias.

A futebolista disse que o beijo não foi consentido, ao contrário do que afirma o presidente da federação.