João Rosado

Comentador SIC Notícias

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O jogo que Mourinho não pode perder

Opinião de João Rosado. Os triunfos importantes frente a Nápoles e Moreirense não garantem nada ao “Special One”

O jogo que Mourinho não pode perder
MIGUEL A. LOPES

A Taça de Portugal é nesta altura o troféu mais importante para o Benfica. Dependentes de terceiros, a três pontos do Sporting e a oito do FC Porto, os encarnados têm a consciência de que não há muitas razões para estarem otimistas na obtenção do campeonato, o que significa que o jogo de amanhã em Faro pode ser crucial para a definição da temporada e não só.

Claro que José Mourinho não irá admitir o lado transcendental da partida diante do nono classificado da II Liga, mas a verdade é que uma eliminação nos oitavos de final da Taça de Portugal iria pulverizar os ganhos de enorme relevância associados aos resultados alcançados perante Nápoles e Moreirense.

Se Jorge Silas conseguisse a proeza de afastar as águias (não há comparação possível entre os argumentos dos algarvios e aqueles que servem os visitantes), o plano de reabilitação desportiva prometido por Rui Costa ficaria em causa, comprometendo o futuro a curto e a médio prazo.

Jorge Silas
OCTÁVIO PASSOS

Convém recordar que Bruno Lage, apesar de ter vencido a Taça da Liga no início do ano e de ter levantado a Supertaça no arranque de 2025-26, foi incapaz de resistir ao histórico tropeção diante do Qarabag, o que só por si é ilustrativo do escasso peso que a terceira competição nacional tem nas contas dos emblemas de maior dimensão.

Mesmo que o Benfica ultrapasse o Sporting de Braga na meia-final de Leiria e a seguir, contra Sporting ou Vitória de Guimarães, revalide o título, essa hipotética conquista saberá sempre a pouco no caso de já ter sido desviado do caminho que conduz à tribuna de honra no Jamor.

Ainda por cima, na competição que Mourinho conquistou há 22 anos (um golo de Derlei fez o setubalense sorrir nas barbas do carismático Manuel Cajuda) está contemplada a possibilidade de os quartos de final abrirem daqui a um mês com um… FC Porto-Benfica, bastando para tal que tanto Farense como Famalicão deem licença aos seus poderosos opositores para seguirem em frente nos duelos desta semana.

No fundo, também isso estará em equação no São Luís, ou seja, face à perspetiva de mais um braço de ferro entre “Mou” e Francesco Farioli, seria dramático para os lisboetas desperdiçarem a possibilidade de jogarem em dois tabuleiros voltando ao Dragão em meados de janeiro.

Francesco Farioli
Pedro Nunes

A manter-se a distância na Liga, um eventual duelo de gigantes num encontro a eliminar significaria muito mais do que a queda de um rival direto. Em termos anímicos, a equipa que progredisse para as meias-finais celebraria uma dupla vitória, com possível repercussão nas batalhas do… campeonato. Um triunfo dos azuis e brancos cimentaria o estatuto de liderança em Portugal, enquanto o apuramento dos benfiquistas faria renascer o sonho de uma épica recuperação na tabela classificativa.

É de admitir que na mente de José Mourinho, logo a partir do momento em que resolveu aceitar o convite para regressar à Luz, todos os desafios tenham sido etiquetados como autênticas finais e que o de Faro não constitua exceção. Ainda assim, um reencontro feliz do “Special One” com o seu antigo pupilo na União de Leiria será absolutamente essencial para continuar a alimentar as expetativas de uma época com troféus.

Outro qualquer desfecho pode deixar Rui Costa dependente da vontade de terceiros em convencer o seu treinador a mudar de ares no final de junho. Quem sabe em nome de um projeto para dar a Portugal a taça mais importante da sua história.