Economia

PCP apoia trabalhadores da Autoeuropa

RUI MINDERICO

O PCP considerou hoje natural que os trabalhadores da Autoeuropa defendam os seus direitos face a uma proposta da administração que "apenas permite" que tenham um fim de semana seguido "de seis em seis semanas".

Num comunicado sobre a paralisação na Autoeuropa, que ignora as acusações ao partido do ex-dirigente do BE e da comissão de trabalhadores da empresa, António Chora, os comunistas sublinham que "cabe aos trabalhadores e às suas organizações representativas definir as suas posições e formas de luta, como se verifica com os plenários realizados e com a greve de hoje".

António Chora, numa entrevista publicada na edição de hoje do Negócios, acusa o PCP de estar por detrás da greve para ganhar margem de manobra nas negociações orçamentais como o Governo.

"Sim, é claramente o assalto ao castelo e a tentativa de o PCP pressionar o Governo para algumas cedências noutros lados. Mas isso tem sido a prática ao longo dos anos", sustentou Chora, que foi membro da comissão de trabalhadores da Autoeuropa e dirigente do Bloco de Esquerda, mas que já se reformou.

No comunicado divulgado hoje, o PCP começa por salientar que "a Autoeuropa é uma importante empresa do setor industrial com um elevado número de trabalhadores e grande peso na economia nacional". Mas recorda, logo de seguida, que "os trabalhadores da Autoeuropa sempre defenderam os seus interesses, e em diversos processos de negociação verificados ao longo dos anos, recorreram a tomadas de posição e formas de luta que travaram ou fizeram recuar medidas que sentiam atingir os seus direitos".

"Mais uma vez essa intervenção se verifica perante uma proposta de alteração dos horários de trabalho, questão particularmente sensível, uma vez que afeta a possibilidade de os trabalhadores continuarem a ter direito ao fim de semana, dificultando a organização da sua vida pessoal e familiar", acentua o partido.

Segundo os comunistas, a proposta da administração da empresa do grupo Volkswagen "não garante o sábado como dia de descanso e apenas permite que um trabalhador tenha um fim de semana seguido de seis em seis semanas".

"Na Autoeuropa o trabalho efetuado aos sábados, domingos e feriados foi sempre considerado como trabalho extraordinário e pago como tal. É por isso natural que os trabalhadores tomem posição sobre esta questão e defendam os seus direitos", frisa o PCP, defendendo a necessidade de "soluções que permitam responder à defesa dos seus direitos e ao desenvolvimento da produção nesta empresa".

Os trabalhadores da Autoeuropa iniciaram hoje de manhã o segundo turno de greve contra o trabalho aos sábados que teve início às 23h30 de terça-feira e termina à meia-noite de quinta-feira.

Os cerca de 3.000 trabalhadores que participaram nos plenários, realizados na segunda-feira, aprovaram uma resolução a confirmar a rejeição dos novos horários, particularmente pela imposição do trabalho aos sábados.

Lusa

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