Economia

Redução do défice é "muito positiva" mas endividamento tem de baixar mais

MIGUEL A.LOPES

O ministro da Economia considerou esta terça-feira "muito positivo" que o défice orçamental se tenha situado em 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, mas vincou que o endividamento tem de baixar mais.

"Penso que os números das contas públicas são positivos. Um défice abaixo de 1% é superar muito os objetivos a que nos tínhamos proposto e 0,9% é um número muito positivo", declarou Manuel Caldeira Cabral.

Falando aos jornalistas no final do almoço/conferência do American Club of Lisbon, na capital portuguesa, o governante observou que "estes resultados mostram que os investidores internacionais que confiaram em Portugal e que as agências que reviram o rating de Portugal estavam corretas".

"Portugal está no bom caminho em termos consolidação das contas públicas e no bom caminho também em relação ao seu endividamento", sustentou, argumentando que "estas metas têm sido importantes para conseguir baixar as taxas de juro, para melhorar o financiamento à economia e às empresas".

Ainda assim, Manuel Caldeira Cabral defendeu que "o endividamento português tem de continuar a baixar e é esse o programa do Governo".

"É um sinal importante de confiança na nossa economia, os resultados já conseguidos e as metas a que nos propomos", notou.

Na segunda-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou que o défice orçamental de 2017 ficou nos 3% do PIB, incluindo a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas teria sido de 0,9% sem esta operação.

Segundo a primeira notificação de 2018 relativa ao Procedimento por Défices Excessivos, remetida pelo INE ao Eurostat, o défice das Administrações Públicas atingiu 5.709,4 milhões de euros, o que correspondeu a 3% do PIB, acima do saldo negativo de 2% registado em 2016.

"Este resultado inclui o impacto da operação de recapitalização da CGD, no montante de 3.944 milhões de euros, que determinou um agravamento da necessidade de financiamento das Administrações Públicas em 2% do PIB", de acordo com o INE.

No que toca à carga fiscal, subiu para 37% do PIB no ano passado face ao peso de 36,6% que tinha na economia em 2016, também de acordo com o INE.

Desvalorizando tal acréscimo, Manuel Caldeira Cabral sustentou que "o que os últimos três orçamentos demonstram é uma estabilidade fiscal, ao contrário de anos anteriores, em que houve aumentos muitos elevados de impostos".

Já questionado sobre um possível impacto da nova taxa sobre o excesso de contratos a prazo nas empresas, anunciada na sexta-feira, o responsável sublinhou que "as pessoas que pensam que a competitividade se baseia em baixos salários e precariedade estão erradas".

E aludiu ao debate aquando do aumento do salário mínimo nacional, apontando que "houve muitos a dizer que o aumento do salário mínimo iria pôr em causa a competitividade das exportações e a comprometer os objetivos de emprego", adiantando que se assistiu ao contrário.

Lusa

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