Economia

Países 'frugais' coordenam posições no intervalo do Conselho Europeu

Várias fontes europeias indicam que, entre os 'frugais', apenas a Holanda e a Áustria se mantém inflexíveis.

Áustria, Holanda, Dinamarca, Suécia e Finlândia, os designados países 'frugais', estão a aproveitar o intervalo na cimeira europeia, que decorre em Bruxelas, para "coordenar posições" sobre as "questões pendentes" para a resposta económica à crise da covid-19.

Através da rede social Twitter, o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, publicou hoje de madrugada uma fotografia com os homólogos Mark Rutte (Holanda), Stefan Löfven (Suécia), Mette Frederiksen (Dinamarca) e Sanna Marin (Finlândia), numa altura em que o Conselho Europeu está parado para um intervalo que, inicialmente, seria de 45 minutos e já vai em mais de duas horas.

"A coordenar a nossa posição sobre as questões pendentes nas negociações sobre o Quadro Financeiro Plurianual e o Fundo de Recuperação", escreveu Sebastian Kurz na legenda da fotografia, na qual surge sorridente, apesar do forte impasse político nas negociações.

Porém, apesar da tentativa de posição convergente que a publicação quer fazer transparecer, são várias as fontes europeias que indicam que, entre os 'frugais', apenas Kurz e Rutte se mantêm inflexíveis nas negociações, que já duram há várias horas, com os restantes governantes do grupo a darem sinais de abertura.

Reunidos desde sexta-feira de manhã, os líderes europeus não lograram ainda chegar a um acordo sobre o próximo quadro orçamental para 2021-2027 e o Fundo de Recuperação, os pilares do plano de relançamento da economia europeia para superar a crise da covid-19.

Tensão no terceiro dia de cimeira

O terceiro dia da cimeira, no domingo, ficou marcado por uma longa ronda de consultas, que se prolongou de manhã até ao início da noite, com os 27 a reunirem-se todos à mesa apenas perto das 19:30 locais (18:30 de Lisboa), para um jantar de trabalho.

Perto das 23:30 locais, o presidente do Conselho, Charles Michel, solicitou então uma interrupção de 45 minutos, que ainda dura, sendo uma incógnita até quando poderá o Conselho Europeu prolongar-se.

De acordo com fontes europeias, o principal obstáculo a um compromisso continua a ser a exigência dos chamados países 'frugais' (Holanda, Suécia, Áustria e Dinamarca) em reduzir a dimensão do Fundo de Recuperação -- apesar de Charles Michel já ter apresentado duas propostas revistas em baixa, originalmente pensado para ter um montante de 750 mil milhões de euros -, assim como o montante destes apoios a serem concedidos a fundo perdido aos Estados-membros.

Tanto o plano franco-alemão como a proposta da Comissão Europeia defendiam subvenções num montante de 500 mil milhões de euros, que Charles Michel e a generalidade dos Estados-membros já aceitaram baixar, mas, ainda assim, o quarteto de 'frugais' reclama que o valor fique abaixo dos 400 mil milhões.

Este intervalo solicitado pelo presidente do Conselho Europeu deverá servir para fazer um último esforço em busca de um compromisso, devendo de seguida Charles Michel anunciar se as negociações prosseguirão ou se dá por terminada esta cimeira.