Economia

Máximo dos Santos diz que excluir Novo Banco do Orçamento do Estado seria um desastre

Carlos Rosa

Carlos Rosa

Repórter de Imagem

O Presidente do Fundo de Resolução considera que o prazo definido para a venda do antigo BES foi curto e que gostaria que o fundo estivesse representado na Admistração do Novo Banco.

Depois de António Ramalho, esta quarta-feira foi a vez do Presidente do Fundo de Resolução ser ouvido no Parlamento.

Máximo dos Santos considera que o Estado deve contar com mais uma injeção no Novo Banco, no próximo Orçamento, caso contrário pode ser um desastre.

Declarações no mesmo dia em que o PS avançou com o pedido de criação de uma comissão inquérito sobre os negócio do banco desde que foi comprado pela Lone Star.

Novo Banco poderá receber uma nova injeção de capital

O Novo Banco poderá receber uma nova injeção de capital. O anúncio foi feito por António Ramalho.

Numa entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo, o CEO do Novo Banco não rejeitou a hipótese de ser necessária uma nova injeção no antigo BES.

Quase 50% das perdas com créditos são após venda à Lone Star

Quase 50% das perdas do Novo Banco com créditos foram registadas no último trimestre de 2017 e em 2018, já com o banco detido maioritariamente pela Lone Star, segundo a auditoria divulgada esta terça-feira pelo parlamento.

"Relativamente ao registo de perdas por imparidade, verificou-se um reforço relevante em devedores incluídos na amostra no último trimestre de 2017 e em 2018, representando cerca de 50% do total de perdas entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018", lê-se no relatório da auditoria elaborado pela consultora Deloitte.

Segundo a análise da Deloitte a uma amostra de créditos e ativos (imóveis, títulos de dívida) com perdas superiores a 10 milhões de euros (entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018), do total de perdas acumuladas de 2.579,7 milhões de euros nesse período, houve 1.144,5 milhões de euros (equivalente a 44%) que foram registados entre 18 de outubro de 2017 e 31 de dezembro de 2018 (período em que 75% do Novo Banco era já detido pelo fundo de investimento norte-americano Lone Star).

Do valor de perdas restante, 936,8 milhões de euros foram entre 4 de agosto de 2014 e 30 de junho de 2016 e 498,3 milhões de euros de perdas entre 1 de julho de 2016 e 17 de outubro de 2017.

Contudo, diz a Deloitte que há que referir que "uma parte relevante dos devedores para os quais foram registados reforços de imparidade em 2017 e 2018 apresentava já incumprimento ou outros 'triggers' de risco em períodos anteriores".

No reforço de perdas em créditos e outros ativos, segundo a Deloitte, há vários fatores que contribuem para isso, seja reavaliação das garantias, vendas de créditos de evolução negativa na atividade do devedor, incumprimento dos planos de reestruturação ou insolvência ou sentenças judiciais adversas.

As perdas com créditos

Olhando especificamente para as perdas com créditos, das perdas acumuladas totais no valor de 2.143,4 milhões de euros entre 4 de agosto e 31 de dezembro de 2018, 1.023,7 milhões de euros (equivalente a 47,8%) foram registadas entre 18 de outubro de 2017 e 31 de dezembro de 2018.

Já 732,8 milhões de euros de perdas em créditos foram entre 4 de agosto de 2014 e 30 de junho de 2016 e 386,9 milhões de euros de perdas entre 01 de julho de 2016 e 17 de outubro de 2017.

Nos imóveis (a segunda rubrica que gerou mais perdas, a seguir aos créditos), entre 18 de outubro de 2017 e 31 de dezembro de 2018 foram geradas perdas de 96,4 milhões de euros.

Novo Banco foi vendido em 2017 à Lone Star

Nascido na resolução do BES (em 03 de agosto de 2014), 75% do Novo Banco foi vendido em 18 de outubro de 2017 ao fundo de investimento norte-americano Lone Star, mantendo o Fundo de Resolução bancário 25%, numa solução acordada entre Banco de Portugal e Governo. O Lone Star não pagou qualquer preço, tendo injetado 1.000 milhões de euros no Novo Banco.

Aquando da venda, foi acordado um mecanismo de capital contingente, que prevê que até 2026 o Fundo de Resolução compensa o Novo Banco por perdas de capital num conjunto de ativos que 'herdou' do BES até 3.890 milhões de euros.

Desde então e até hoje, o Fundo de Resolução já injetou 2.976 milhões de euros e ainda poderá colocar mais de 900 milhões de euros, valores que em cada ano têm impacto nas contas públicas uma vez que o Fundo de Resolução é uma entidade da esfera do Estado.

O relatório da auditoria da Deloitte ao BES/Novo Banco está desde esta terça-feira disponível no 'site' da Assembleia da República. O documento divulgado, com 370 páginas, é o enviado pelo Novo Banco ao parlamento, e contém dezenas de páginas com informação truncada, de matérias consideradas sensíveis, como o nome de devedores cujos créditos constituem perdas significativas.

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