Economia

Reestruturação na TAP. Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil interpõe providência cautelar

Rafael Marchante

Sindicato exige informação prévia sobre o plano de reestruturação.

O Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil informou esta segunda-feira que interpôs uma providência cautelar à TAP a exigir informação prévia sobre o plano de despedimentos de 500 pilotos da companhia aérea.

Na providência cautelar a que a SIC teve acesso, o sindicato refere que os representantes dos trabalhadores devem ser "informados sobre a situação, estrutura e provável evolução do emprego na empresa", acrescentando que o sindicato deve participar no processo de reestruturação da empresa "de forma ativa".

No mesmo documento, o Sindicato dos Pilotos de Aviação Civil refere:

"O que aconteceu até ao momento foi a prestação de informação incompleta, insuficiente e enganosa sobre os reais propósitos do empregador, ou seja, a informação não foi prestada em momento, de forma e com conteúdo suscetíveis de permitir, nomeadamente que os representantes dos trabalhadores procedam a um exame apropriado e preparem, se for o caso, as consultas”.

A mesma estrutura sindical afirma que o plano de reestruturação apresentado pela Transportadora Aérea Portuguesa não está assente em "pressupostos técnicos, económicos e financeiros", o que representa uma "clamorosa violação do direito à informação e consulta dos representantes dos trabalhadores".

Situação da TAP

A TAP soma prejuízos. Até setembro, a companhia teve quebras de 700 milhões e dispensou 729 trabalhadores a termo. Durante este inverno prevê uma redução de operação que pode chegar aos 70%.

A TAP tem de apresentar o plano de reestruturação em Bruxelas até dia 10 de dezembro. Segundo a plataforma de sindicatos que representa os trabalhadores da companhia, o objetivo é despedir três mil trabalhadores.

TAP RECEBEU 582 MILHÕES DE EUROS DO ESTADO ATÉ AO FINAL DE SETEMBRO

A companhia aérea TAP recebeu, até ao final de setembro, 582,4 milhões de euros provenientes do Estado português, no âmbito do acordo para o auxílio à empresa iniciado em junho, de acordo com os resultados da empresa divulgados esta segunda-feira.

De acordo com o quadro referente a financiamentos e obrigações da empresa TAP S.A., que faz parte do Grupo TAP, em 30 de setembro a companhia tinha recebido 582,4 milhões de euros do Estado, fazendo esta parte da rubrica da dívida financeira, que ascende aos 1.992,4 milhões de euros.

As outras componentes da dívida financeira são os empréstimos bancários e obrigações, que diminuíram de 1.083,4 milhões de euros no final de 2019 para 947,4 milhões de euros, e os passivos de locação com opção de compra, que aumentaram de 274,2 milhões de euros no final de 2019 para 1.699,4 milhões de euros no final de setembro.

Rescisões amigáveis, cortes e despedimentos. O plano de reestruturação da TAP

A administração da TAP anunciou há dias que vai avançar com um plano de rescisões, despedimentos e corte de salários para evitar o fim da companhia áerea.

A empresa não adianta números, no entanto, os sindicatos do setor apontam para um corte de quase 3 mil postos de trabalho.

A administração esteve reunida com os sindicatos do pessoal de terra e do pessoal navegante para anunciar a estratégia de sobrevivência para evitar o fim da TAP.