Economia

Governo diz que PSD "mentiu aos transmontanos" no negócio das barragens da EDP

PSD entregou hoje na PGR um pedido de averiguação da venda de seis barragens da bacia do Douro pela EDP

O pedido de investigação à venda de seis barragens da bacia do Douro pela EDP, que foi esta quinta-feira apresentado pelo PSD na Procuradoria-Geral da República (PGR), é um "ato de desespero", segundo o executivo socialista.

"A solicitação de uma averiguação à Procuradoria-Geral da República sobre a venda de seis barragens na bacia do Douro, tornada hoje pública pelo Partido Social Democrata, é um ato de desespero daquele partido que, muito provavelmente, só agora percebeu ter mentido aos transmontanos", lê-se numa nota de imprensa divulgada pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática.

Segundo o gabinete do ministro João Matos Fernandes, "o PSD prometeu receitas de IMT e de IMI às populações. Agora vem reconhecer, envergonhado, que tal promessa foi uma mentira".

O PSD entregou hoje na PGR um pedido de averiguação da venda de seis barragens da bacia do Douro pela EDP, considerando que o Governo favoreceu a empresa e concedeu-lhe uma "borla fiscal".

O anúncio foi feito no parlamento pelo líder parlamentar do PSD, Adão Silva, que salientou tratar-se de um negócio que rendeu à EDP 2,2 milhões de euros "sem o pagamento de IRC, de Imposto de Selo, de Imposto Municipal de Transações e de Emolumentos".

"O negócio de venda das barragens aconteceu entre duas entidades privadas e seria um abuso do Estado de Direito realizar um exame fiscal prévio a este negócio, que foi escrutinado pelas entidades sob tutela do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, nomeadamente no que respeita à idoneidade técnica e financeira da entidade adquirente. Era essa -- e só essa -- a responsabilidade do Governo antes da realização do negócio", assinalou o ministério.

O gabinete de Matos Fernandes vincou que "haver ou não pagamento de imposto de selo é algo a decidir pela Autoridade Tributária, a única que tem legitimidade para o fazer".

E acrescentou: "A pusilanimidade do PSD revela-se numa manobra que, então como agora, pouco tem a ver com a preocupação pelas populações dos dez concelhos que fazem parte do grupo de trabalho coordenado pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática".

De acordo com o executivo, os municípios de Alijó, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Murça, Torre de Moncorvo e de Vila Flor, "parte de um dos dois territórios mais frágeis do continente", segundo o Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território, "têm trabalhado com o Governo no sentido de mobilizar investimentos para conferir sustentabilidade àqueles territórios de baixa densidade e qualidade de vida às suas populações".

O Ministério do Ambiente adiantou ainda que "dentro de um mês, será conhecido o programa de investimentos mobilizadores daquela região do país".

Por seu turno, o PSD considera que estão em causa "responsabilidades partilhadas" do Ministério do Ambiente - que acompanhou o processo de venda pela EDP das seis barragens na bacia do Douro (Miranda do Douro, Picote, Bemposta, Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro) a um consórcio liderado pela Engie - e do Ministério das Finanças, que tinha a "responsabilidade de cobrar impostos" neste negócio.