Economia

Nova administração da TAP eleita. Governo prevê regresso aos lucros em 2023

Bruxelas não se pronunciou sobre o plano de reestruturação.

É esta quinta-feira nomeada a nova administração da TAP. O Governo estima que a companhia aérea volte a dar lucro em 2023, mas as agências de rating dizem que, para isso, não chega diminuir custos operacionais.

Tornar a TAP novamente rentável é o grande desafio que a nova administração terá pela frente.

A assembleia geral desta quinta-feira deverá confirmar a escolha do Governo: a francesa Christine Ourmières-Widener para CEO e Manuel Beja para presidente do Conselho de Administração.

Pelas contas do Governo, a TAP seria capaz de se financiar, sem precisar do Estado, em 2023. Dois anos depois iria começar a devolver dinheiro ao Estado.

Mas a concretização desse plano não depende só da empresa. Quem o diz é a Standard & Poor's, uma das agências de rating que avaliam o risco dos credores que emprestam dinheiro à companhia aérea.

Ao Público, explica que é a recuperação de passageiros que vai determinar o futuro da TAP. E é preciso que essa recuperação se traduza em receitas. Se não, dispensar trabalhadores e diminuir o número de aviões pode não ser suficiente.

A Associação Internacional de Transportes Aéreos prevê que dentro de três ou quatro anos, o setor volte aos números de 2019, mas as restrições impostas pela pandemia podem adiar esse objetivo.

O certificado digital covid e a reabertura das rotas com os Estados Unidos, darão uma ajuda, mas, por exemplo, o Brasil continua a permitir apenas viagens essenciais.

A nova administração da TAP é eleita antes de Bruxelas se pronunciar sobre o processo de restruturação. O plano desenhado pelo Governo já foi entregue em dezembro passado. Prevê despedimentos, corte de salários, redução de frota e quebra de rotas.

Entretanto, a companhia aérea já rescindiu com mais de 1.800 trabalhadores e pode ainda avançar com um despedimento coletivo de cerca de 200, caso não aceitem sair por comum acordo.

O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil já acusou a TAP de violar o acordo de emergência e ameaça recorrer aos tribunais.

No ano passado, o prejuízo ascendeu aos 1.400 milhões de euros.