Economia

"A crise fez com que alguns trabalhadores tivessem arcado com a maior parte do fardo"

Portugal foi o segundo país da OCDE onde as horas de trabalho em ocupações com baixos salários mais caíram no segundo trimestre de 2020, quando ocorreu o primeiro confinamento devido à pandemia.

De acordo com o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), as horas trabalhadas nas ocupações com baixa remuneração registaram em Portugal uma redução de 49,6% no segundo trimestre do ano passado, uma percentagem só ultrapassada pela Irlanda, que registou uma queda de 61,9%.

Já a média de redução de horas trabalhadas verificada no total de países da OCDE foi de 28%, mais 18 pontos percentuais do que o recuo registado entre as ocupações de alta remuneração, indica o relatório.

"A natureza altamente setorial da crise fez com que alguns trabalhadores tivessem arcado com a maior parte do fardo, enquanto outros não apenas sofreram menos, como beneficiaram mais rapidamente com a recuperação", afirma a OCDE.

Segundo a organização, entre os que possuem baixo nível de escolaridade, "o impacto da crise nas horas trabalhadas foi quase três vezes maior que o vivido por quem tinha alto nível de escolaridade" e as ocupações de baixa remuneração "sofreram um forte golpe nos primeiros meses da crise".

A OCDE destaca que em países como Portugal e Espanha estas ocupações de baixa remuneração registaram uma queda acima de 40%.

O relatório mostra que, em Portugal, nas ocupações mais bem pagas a redução das horas trabalhadas foi de 13,4% no segundo trimestre de 2020, enquanto nas ocupações com salários médios foi de 33,3%.

A organização internacional refere ainda que Portugal está entre os países que registaram quedas significativas na taxa de contratação de jovens nos primeiros meses de 2020 e que regista um aumento considerável na taxa de jovens NEET (jovens que não estudam, não trabalham nem frequentam formação).

No final de 2020, a taxa média na OCDE dos jovens NEET entre os 15 e 29 anos de idade, foi de 12%, um ponto percentual acima do ano anterior, invertendo assim a tendência de queda dos últimos anos.

O relatório divulgado hoje indica que a taxa de emprego nos países da OCDE ainda vai estar abaixo dos níveis pré-pandemia no final de 2022, depois de se terem perdido cerca de 22 milhões de empregos em todos os países da organização.

A taxa de desemprego da OCDE diminuiu marginalmente em maio para 6,6%, contra 6,7% em abril de 2021, permanecendo 1,3 pontos percentuais acima do nível pré-pandemia observado em fevereiro de 2020.

O número de trabalhadores desempregados na OCDE era de 43,5 milhões em maio de 2021, mais 8,1 milhões do que em fevereiro de 2020.

A taxa de desemprego jovem da OCDE atingiu 13,6% em maio de 2021, ficando 2,2 pontos percentuais acima do nível pré-pandemia.