Economia

Bancos foram mais restritivos na concessão de crédito no segundo trimestre

Entre abril e junho de 2021 os bancos foram ligeiramente mais restritivos a conceder crédito às empresas, segundo o Banco de Portugal. No mesmo período houve menos pedidos de empréstimo por parte das empresas, mas mais pedidos a serem rejeitados.

Num contexto como o atual, em que ainda há uma elevada incerteza e risco económico, especialmente em alguns setores mais afetados pela pandemia, os bancos foram mais restritos a conceder crédito, especialmente às empresas, segundo o inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, divulgado esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP). O aumento das restrições coincidiu com uma diminuição na procura por parte das empresas.

Entre abril e junho, face ao primeiro trimestre do ano, houve um "aumento muito ligeiro da restritividade no crédito a empresas, transversal ao tipo de empresa e à maturidade do empréstimo, e praticamente sem alteração no crédito a particulares", indica a instituição liderada pelo ex-ministro Mário Centeno.

No que diz respeito às empresas, os bancos foram mais restritivos nas garantias exigidas, nas comissões e outros encargos e aumentaram ligeiramente os spreads aplicados nos empréstimos de maior risco. Por outro lado, houve um decréscimo nos "spreads aplicados nos empréstimos de risco médio concedidos a empresas e a particulares para habitação".

No crédito ao consumo, concedido a particulares, as condições foram praticamente as mesmas.

Quanto aos pedidos de empréstimo, houve um ligeiro recuo por parte das empresas, o que o BdP explica com a "redução das necessidades de financiamento de fusões/aquisições e reestruturação empresarial e, em menor grau, das necessidades de financiamento de investimento e de refinanciamento/reestruturação e renegociação da dívida". Apesar de haver menos empresas a pedir crédito, no período em análise houve mais pedidos de empréstimos a empresas que foram rejeitados.

No que se refere aos pedidos de empréstimo por particulares houve um aumento, especialmente para habitação, ajudado pela "confiança dos consumidores" e pelo "nível das taxas de juro".

Para o terceiro trimestre do ano, os bancos esperam que os critérios de concessão de crédito fiquem "inalterados" e que a procura por empréstimos volte a aumentar por parte dos particulares, mas que fique sem alteração por parte das empresas.