Economia

Bloco de Esquerda acusa António Costa de cinismo nas declarações sobre a Galp

"Quando questionei António Costa no Parlamento ele disse que não ia fazer nada".

O Bloco de Esquerda acusa o primeiro-ministro de cinismo nas declarações sobre a Galp. Diz que António Costa nada fez para travar os despedimentos na refinaria de Matosinhos.

“O que é que pensará um trabalhador da refinaria da Galp quando ouve a mesma pessoa que impediu qualquer mudança que protegesse o seu emprego, uma vez despedido, a dizer que aquilo não podia ter acontecido?”, afirma Catarina Martins.

“A política não pode ser esse exercício de cinismo. A política tem de ser sobre soluções para a vida das pessoas. Sim, o Estado devia ter impedido aqueles despedimentos. E quando eu questionei António Costa no Parlamento ele disse que não ia fazer nada, que ia ficar a assistir. Não pode agora estar chocado com aquilo que quis”.

Costa prometeu uma "lição exemplar" à empresa

No domingo, numa ação de campanha para as eleições autárquicas, em Matosinhos, António Costa considerou que "era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade" como a Galp demonstrou no encerramento da refinaria de Matosinhos, prometendo uma "lição exemplar" à empresa.

O primeiro-ministro deixou críticas ao encerramento da refinaria no distrito do Porto, na sequência da decisão da Galp de concentrar as operações em Sines, acusando a empresa de deixar "um enorme passivo ambiental de solos contaminados".

Galp fechou refinaria de Matosinhos a 30 de abril

A Galp desligou a última unidade de produção da refinaria de Matosinhos em 30 de abril, na sequência da decisão de concentrar as operações em Sines.

A petrolífera justificou a "decisão complexa" de encerramento da refinaria com base numa avaliação do contexto europeu e mundial da refinação, bem como nos desafios de sustentabilidade, a que se juntaram as características das instalações.

O encerramento da refinaria de Matosinhos, em abril, representa perdas de 5% do PIB em Matosinhos e de 1% na Área Metropolitana do Porto, segundo um estudo socioeconómico a que a Lusa teve acesso.

O estudo, encomendado pela Câmara Municipal de Matosinhos à Universidade do Porto para avaliar os impactos socioeconómicos do fecho do complexo petroquímico no concelho, traça um "cenário particularmente grave" para a região Norte e para o país, caso não seja dado qualquer destino àquela instalação industrial.

O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.

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