Economia

Uma "forte recuperação". OCDE espera que zona euro cresça 5,3% este ano

Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico sobe projeção de crescimento na zona euro em um ponto percentual. Cenário para 2022 também melhora. Mas, a retoma global permanece muito desigual e a variante delta da covid-19 penaliza a dinâmica de curto prazo, alerta a OCDE

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em forte alta a sua projeção de crescimento para a zona euro. No Economic Outlook intercalar, publicado esta terça-feira, antecipa uma expansão do PIB de 5,3%, mais um ponto percentual do que esperava em maio. Quanto a 2022, a OCDE também está mais otimista em relação ao espaço da moeda única, apontando para um crescimento de 4,6%, o que compara com 4,4% em maio.

O relatório atualiza o cenário da OCDE para as maiores economias do mundo (G20), não incluindo projeções para Portugal. A organização sedeada em Paris fala numa "forte recuperação na Europa", o que, a par da "probabilidade de apoio orçamental adicional nos Estados Unidos no próximo ano" e de "poupança mais baixa das famílias", dando impulso adicional ao consumo, "vai impulsionar as perspetivas de crescimento nas economias avançadas".

A OCDE constata que o PIB mundial já ultrapassou o nível pré-pandemia, mas em muitos países - particularmente economias emergentes e em desenvolvimento onde as taxas de vacinação são baixas - permanecem diferenciais tanto ao nível da produção, como do emprego. "Fechar este diferencial é essencial para minimizar cicatrizes de longo prazo da pandemia via perdas de emprego e rendimento", alerta a organização.

"A recuperação permanece muito desigual, com resultados marcadamente diferentes entre países, sectores e grupos demográficos", lê-se no relatório. Como resultado, "os países enfrentam desafios de política diferentes".

A OCDE dá o exemplo dos Estados Unidos, onde o PIB já recuperou o nível pré-pandemia, mas onde o emprego permanece abaixo desse patamar. Já na Europa, "o emprego foi grandemente preservado, mas a produção e o total de horas trabalhadas ainda não recuperaram completamente", aponta o relatório.

A organização deixa ainda um alerta em relação à variante delta do SARS cov-2. "Até agora, teve um impacto económico relativamente suave em países com elevadas taxas de vacinação, mas há sinais que pode pesar na confiança e baixar a dinâmica de crescimento de curto-prazo".

A variante delta é ainda fonte de incerteza para a evolução da inflação. Isto porque os riscos de confinamentos, sobretudo na Ásia, podem ter consequências adversas sobre a disponibilidade de abastecimentos e o ritmo da recuperação global.

"Já existem aumentos alargados nos preços de exportação de muitas economias asiáticas-chave, refletindo tanto custos de input em alta por causa de preços de commodities mais elevados a nível global, bem como constrangimentos de capacidade e disrupções nos abastecimentos", vinca a OCDE.

Uma situação espelhada na subida dos preços de importação nos restantes países, e amplificada pela "triplicação dos custos de transporte marítimo a nível global este ano", contabiliza a organização.

A subida da inflação é um dos temas económicos do momento e não escapada à análise da OCDE. Segundo os cálculos da organização, "preços mais elevados das commodities e dos custos de transporte marítimo a nível global estão a adicionar cerca de 1,5 pontos percentuais à inflação no G20, respondendo pela maioria da subida ao longo do último ano".

A OCDE espera que a inflação no G20 feche este ano nos 4,5%, abrandando para cerca de 3,5% até final de 2022, "permanecendo acima das taxas observadas antes da pandemia". E considera que "as pressões do lado da oferta devem desvanecer-se gradualmente, o crescimento dos salários permanece moderado e as expetativas de inflação ainda estão ancoradas". Tudo fatores que sinalizam esta subida da inflação como transitória.

Ainda assim, a organização aponta que "os riscos de curto prazo são de alta" em relação à inflação.

Por isso, deixa conselhos para a atual política monetária acomodatícia dos principais bancos centrais, como a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) ou o Banco Central Europeu (BCE): "Deve ser mantida, mas é necessária orientação clara sobre o horizonte e em que medida qualquer disparo da inflação sobre a inflação será tolerado". Orientação clara que também pede para "o calendário planeado e a sequência de passos na direção da normalização da política monetária".

Em relação à política orçamental, a OCDE considera que o apoio à economia "permanece necessário, já wue o outlook de curto prazo ainda é incerto e os mercados de trabalho ainda não recuperaram". Por isso, "uma retirada prematura e abruta dos apoios deve ser evitada", defende. Mas, o cocktail de políticas necessárias "depende dos desenvolvimentos económicos em cada país", vinca.

Por fim, pede "investimento público mais forte" e um reforço das reformas estruturais, considerando que são necessários para "aumentar a resiliência e melhorar as perspetivas para crescimento sustentável e equitativo".

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