Economia

PS, PSD, CDS, Chega e IL chumbam recomendação do PCP de aumento do salário mínimo

Horacio Villalobos

PCP acredita que a resposta aos problemas nacionais passa pela valorização dos trabalhadores.

O projeto de resolução do PCP que recomendava ao Governo o aumento do salário mínimo nacional para 850 euros foi esta sexta-feira 'chumbado' na Assembleia da República por PS, PSD, CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal.

A resolução, que foi votada na manhã de sexta-feira em sessão plenária no parlamento, obteve os votos favoráveis de PCP, BE, PAN, PEV e das deputadas não inscritas Joacine Katar Moreira e Cristina Rodrigues.

No debate da iniciativa -- que não tem força de lei - na quinta-feira, no parlamento, o PCP insistiu no aumento do salário mínimo nacional (SMN) para 850 euros, pressionando o PS para clarificar a sua posição sobre a questão, com a direita a defender que o assunto cabe à concertação social.

A comunista Diana Ferreira apontou que a resposta aos problemas nacionais exige uma valorização do trabalho e dos trabalhadores, a valorização geral dos salários, de carreiras, a "revogação de normas gravosas da legislação laboral", o combate à precariedade, entre outras medidas.

"Uma resposta global que nenhum Orçamento pode ignorar no seu conteúdo nem no caminho que aponta, mas vai além do Orçamento do Estado no conjunto de medidas e opções que precisam de ser concretizadas", alertou.

Esta proposta, disse, "confronta o Governo e o PS com a necessidade de clarificar se o caminho que querem é o de dar resposta aos problemas dos trabalhadores, do povo e do país, concretizando uma política alternativa ou se, pelo contrário, insistem em recusar e adiar as soluções que se impõem, preferindo assistir ao avolumar dos problemas nacionais".

Na discussão do projeto, o deputado socialista Fernando José apontou para preocupações do executivo na "agenda do trabalho digno", nomeadamente no combate à precariedade, referindo que "entre 2015 e 2021 o salário mínimo nacional aumentou 32% ou seja, 160 euros mensais" e lembrando o objetivo do Governo de alcançar a meta de 750 euros até 2023.

"Garantindo um futuro no rumo certo, o Governo ouvirá os parceiros sociais para definir o salário mínimo nacional, ao mesmo tempo que procura um acordo de médio prazo sobre salários e rendimentos, garantindo uma trajetória positiva para os rendimentos de todas as famílias portuguesas", disse.

Num debate que dividiu a esquerda e a direita parlamentar, PSD e CDS-PP vincaram que este aumento deve ser discutido em concertação social, com trabalhadores e entidades empregadoras.