Economia

Inflação: “Foi uma espécie de Euromilhões que saiu ao Governo”

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A análise de José Gomes Ferreira.

O Governo pondera a atualização de escalões de IRS em 2023 à taxa de inflação deste ano. O objetivo é evitar a perda do poder de compra dos portugueses com a escalada da inflação. Segundo o Jornal Económico, a atualização poderá rondar os 3,5%.

José Gomes Ferreira afirma que, a confirmarem-se os 3,5%, “não compensa” a inflação esperada para o próximo ano – 4,6% na União Europeia – e “muito menos a deste ano”.

Perderemos sempre em poder de compra. É inevitável.

O jornalista considera ainda que “interessou muito ao Governo” manter as tabelas inalteradas este ano, já que “acaba por não devolver uma parte do que poderia ter devolvido”.

Isto foi uma espécie de Euromilhões que saiu ao Governo. Há um desajuste em relação ao exercício orçamental. Era previsto um determinado nível de receita e acabou por ser muito superior porque a inflação fez disparar os preços e, com eles, os impostos. Por outro lado, as despesas mantiveram-se como estavam.

E os empréstimos pessoais para perfazer 100% do valor da compra de casa?

Os bancos estão a conceder empréstimos pessoais como complemento do crédito à habitação para que o financiamento chegue aos 100%.

José Gomes Ferreira alerta que uma das principais causas da grande crise de 2008 foi o endividamento excessivo.

Concedia-se crédito a famílias que não tinham capacidade de cumprir

O jornalista alerta ainda para a taxa de juros muito alta destes créditos, alertando que, por isso, “vai haver muita gente a entrar em incumprimento”.

Há sinais de abrandamento da economia e isso acabará por atingir Portugal. Estão a cair na tentação de voltar a ceder e conceder créditos com facilidade. É preciso muito cuidado.

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