Economia

Putin deixa aviso sobre consequências da rejeição da Europa ao gás russo

Putin deixa aviso sobre consequências da rejeição da Europa ao gás russo
Mikhail Klimentyev
Consórcio russo de gás que gere o Nord Stream anunciou que iria suspender fluxo de gás para a Europa através da Alemanha.

O Presidente russo, Vladimir Putin, alertou esta segunda-feira para as consequências ecológicas adversas da rejeição da Europa ao gás russo, alegando que vai obrigar ao uso de minerais fósseis que são mais prejudiciais ao meio ambiente.

"Adquirir gás russo barato e depois cortar o fornecimento desse gás e usar imediatamente tudo o que foi declarado anátema, incluindo carvão, não é a melhor solução para os problemas ecológicos globais", disse Putin durante um fórum na região russa de Kamchatka.

O Presidente russo defendeu que, para reduzir a poluição, são necessárias ações oportunas que contemplem a adaptação da indústria.

"Acho que a importância deste problema (...) exige cooperação à escala internacional. É impossível de outra forma. É impossível resolver problemas globais com soluções locais, mesmo que na base desses esforços locais existam objetivos nobres", disse Putin.

O líder da Rússia explicou que alguns países cometeram erros do ponto de vista da ecologia, ao "tomar muitas decisões" com base em objetivos nobres, mas inatingíveis, que acabaram por levar a consequências adversas. Assim, Putin referia-se ao facto de a Europa estar a procurar diminuir a sua dependência da energia russa, depois da invasão da Ucrânia, no âmbito de sanções económicas, ao mesmo tempo que acusa o Kremlin de estar a usar a energia como arma de guerra.

Nos últimos dias, os países europeus acusaram Moscovo de estar a preparar o corte de energia no próximo inverno, questionando as razões para a suspensão de fornecimento de gás à Europa através do gasoduto Nord Stream.

O consórcio russo de gás que gere o Nord Stream anunciou na sexta-feira que iria suspender o fluxo de gás para a Europa através da Alemanha devido a uma fuga de óleo detetada numa turbina da única estação de compressão ainda em funcionamento, o que a União Europeia já disse que é uma "falácia".

Esta segunda-feira, o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov, voltou a rejeitar qualquer tentativa de culpa pela suspensão do fornecimento de gás.

"Temos assistido a constantes tentativas de nos responsabilizar pelo que está a acontecer. Rejeitamos categoricamente essas suspeições. (...) O problema com o fornecimento de gás surgiu devido às sanções impostas ao nosso país e a uma série de empresas russas, por parte dos países ocidentais, incluindo a Alemanha e o Reino Unido", justificou Peskov.

O porta-voz do Kremlin disse que "apenas uma turbina do gasoduto permanece operacional e, mesmo assim, com falhas, o que justifica a interrupção de fornecimento".

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