Economia

Crise energética: Governo não quer fazer até o que Bruxelas diz ser necessário, defende o BE

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda
Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda
SÉRGIO AZENHA
O ministro das Finanças defendeu este sábado que a escalada dos preços da energia “não se resolve com taxas”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) lamentou este sábado que o Governo rejeite fazer o que Bruxelas diz ser necessário face à escalada energética, após o Ministro das Finanças ter defendido não ser com taxas que tal se resolve.

“O que eu registo é que o Governo português não quer fazer até o que a Comissão Europeia diz que é necessário, que é ir buscar os lucros excessivos das energéticas para ir financiar programas que apoiam os setores que estão, neste momento, mais fragilizados pela inflação”, referiu Catarina Martins, que falava aos jornalistas, em Lisboa.

O ministro das Finanças, Fernando Medina, defendeu este sábado que a escalada dos preços da energia “não se resolve com taxas”, numa altura em que a Comissão Europeia tenciona destinar lucros inesperados das energéticas para apoios sociais.

“A questão dos preços da energia não é resolvida com taxas”, disse Fernando Medina, em declarações à chegada ao segundo dia de uma reunião informal dos ministros das Finanças da União Europeia (UE), no âmbito da presidência checa do Conselho, em Praga.

Para a coordenadora do BE, que falava após uma reunião da Mesa Nacional do partido, o que Fernando Medina diz é que “vai ficar parado, enquanto vê a Galp a fazer uma distribuição extraordinária de dividendos e o dinheiro que andou a sair dos bolsos de quem trabalha no nosso país a ir para um qualquer ‘offshore’”.

O Bloco sublinhou ainda que a posição do ministro das Finanças surge ainda numa altura em que a EDP Renováveis “duplicou o seu lucro” e que está a cobrar por energia das barragens um valor injustificado.

“O que Fernando Medina diz é que não vai fazer nada. O que nós dizemos é que o país não aguenta mais este assalto pela inflação”, apontou.

Um dia depois de os ministros da Energia da UE terem discutido em Bruxelas medidas de emergência a aplicar a nível comunitário para mitigar os efeitos da escalada de preços no setor energético, o responsável português pela tutela das Finanças apontou que “as taxas são uma forma de utilizar receitas excecionais para um determinado fim de política pública, [mas] a questão central é como é que se colocam os preços” da energia, dada a atual crise, agravada pela guerra da Ucrânia.

Os ministros da Energia da UE realizaram na sexta-feira um Conselho extraordinário, em Bruxelas, para discutirem possíveis medidas de emergência a aplicar a nível comunitário para mitigar os efeitos da escalada de preços no setor energético.

No final, a Comissão Europeia prometeu “medidas sem precedentes para uma situação sem precedentes” na UE de crise energética, que abrangerão “todas as frentes” e serão apresentadas na próxima semana para aliviar os preços dos serviços energéticos.

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