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Governo faz participação ao MP sobre negócio de compra de aviões pela TAP

Notícia SIC

Governo faz participação ao MP sobre negócio de compra de aviões pela TAP
Horacio Villalobos/Getty Imagens

A SIC sabe que é sobre a diferença de preços que incidem as suspeitas de pagamento de comissões a terceiros.

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Os ministros das Finanças e das Infraestruturas enviaram ao Ministério Público uma participação conjunta com suspeitas sobre o negócio da compra de novos aviões pela TAP.

A SIC sabe que a participação recai sobre pagamentos de comissões a terceiros pela compra dos aviões.

Junto da participação seguiu a auditoria hoje referida pelo ministro Pedro Nuno Santos no Parlamento, a qual indica que a TAP pagou mais do que as companhias concorrentes pelo mesmo tipo de aviões.

"A administração a determinada altura suspeitou que nós estaríamos a pagar pelos aviões que foram encomendados pelo anterior acionista mais do que os nossos concorrentes pagavam", afirmou o ministro.

Em causa estão 52 Airbus adquiridos ainda durante a gestão de Fernando Pinto e com e David Neeleman acionista maioritário. A encomenda começou por ser de 12 aviões A350, mas acabou por ser alterada. Passaram a ser 52 e não 12 as aeronaves e de outros modelos, mais pequenos.

A partir de Dublin, Irlanda, o Presidente da República diz apenas que “tudo aquilo que se vá apurando de gestões mais antigas ou menos antigas (…9 que possa iluminar o que se deve fazer e o que não se deve fazer é util”. Agora, “vamos esperar pelo resultado dessa investigação”.

Questionada pela SIC, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou “a receção (…) de uma participação apresentada pelo Ministro das Infraestruturas e da Habitação e pelo Ministro das Finanças”, revelando apenas que a mesma “foi remetida ao DCIAP para análise”.

"Suspeita que vai ser investigada são luvas, em bom português"

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A dúvida que fica desde já é saber se a compra dos 52 aviões foi feita por necessidades da companhia ou não. “O ponto é esse. Quando se tem uma companhia quando o crescimento orgânico do negócio é acrescentar operações e novas linhas, novos destinos, e se descobria que cada vez que abriam fechavam logo dois ou três, mas os aviões já estavam comprados, a suspeita ia ficando”.

“Não era possível a TAP ir crescendo em tantas áreas ao mesmo tempo e garantindo que todos aqueles negócios eram rentáveis. (…) A lógica que existia no negócio era a seguinte: a TAP tinha sido vendida a um investidor privado, que por sua vez entrou num negócio com contornos complicados (…) e depois insistem num plano de comprar não 12 mas 52 aviões, uma parte era para substituir obviamente os que estavam em fim de contrato de leasing, mas não todos, outros eram para fazer crescer a operação”

Acresce uma circunstância especial, prosseguiu. “A TAP quando foi vendida a banca recebeu cartas de conforto a dizer ‘atenção se este negócio correr mal, vocês têm sempre o vosso dinheiro garantido’. Ora os bancos e as companhias financeiras não iram fazer novos leasings à TAP, se não soubessem que havia este conforto, portanto vá de vender aviões e a administração vá de os comprar”.

“A lógica é cristalina, afinal, queriam comprar mais e mais aviões, boa parte não para fazer crescer o negócio mas para alguém ganhar dinheiro. É isto que se conclui desta história toda. (…) Finalmente, há um relatório que tem escrito no papel atenção que os valores que a TAP estava a pagar pela compra (leasing) dos aviões tem valores, ainda hoje, desconformes com a prática do mercado para as outras companhias, [ou seja], alguém recebia por fora. Quem? Cabe às autoridades investigar”

José Gomes Ferreira espera, porém, que agora, que “a história se repete”, as autoridades consigam ir ”mais avante do que tinham ido para investigar realmente quem é que andou a brincar com o dinheiro dos portugueses".

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