Economia

Ministério Público investiga origem do dinheiro que Neeleman usou para entrar no capital da TAP

Notícia SIC

Ministério Público investiga origem do dinheiro que Neeleman usou para entrar no capital da TAP
Horacio Villalobos/Getty Imagens
Há novos desenvolvimentos sobre os negócios suspeitos durante a anterior administração da TAP.

A participação dos ministérios das Finanças e das Infraestruturas ao Ministério Público sobre negócios suspeitos com aviões da TAP, durante a anterior administração, foi acompanhada de dois documentos diferentes.

Além da auditoria sobre o valor pago pelos novos aviões, que aponta para irregularidades na compra dos novos aviões, a SIC sabe que há um segundo documento mostrará a origem do dinheiro que David Neeleman usou para entrar na TAP.

O cruzamento da informação entre os dois documentos mostra que há uma ligação entre os negócios com os novos aviões da TAP e a maneira como o acionista privado se financiou para garantir 224 milhões de euros para injetar na empresa.

Recorde-se que 61% do capital da TAP foi vendida aos acionistas privados David Neeleman e Humberto Pedrosa em 2015.

David Neeleman pagou 10 milhões de euros ao Estado pela sua parte e o empresário ficou de injetar mais 224 milhões de euros na companhia através da empresa Atlantic Gateway. Foi sobre este dinheiro, pago em duas tranches, que recaíram suspeitas de que terá sido conseguido por contrapartida pela renegociação da compra de novos aviões à Airbus.

A TAP tinha feito inicialmente uma encomenda de 12 Airbus A350, ainda antes de esta série começar a ser fabricada. Quando David Neeleman entrou na companhia renegociou a saída deste contrato com uma mais-valia muito grande.

Essa mais-valia nunca terá entrado nas contas da TAP. Entretanto a companhia aérea firmou um novo contrato de rentig para aquisição de 52 novos aviões Airbus A330. Os aparelhos ainda continuam a ser entregues, faltando chegar mais de 20 à TAP.

É sobre esta compra que incide a auditoria agora entregue no Ministério Público, que concluiu que o valor que a TAP ficou a pagar no novo contrato é muito superior ao que as companhias aéreas concorrentes pagam, o que levanta a suspeita do pagamento de luvas a terceiros.

Além da auditoria, a SIC sabe que foi também entregue ao Ministério Público um documento que mostra a ligação entre os referidos negócios dos aviões e a origem do dinheiro que terá sido usado para Neeleman pagar os suprimentos de capital na TAP, a que se comprometeu quando assinou a compra da companhia.

A SIC tentou entrar em contacto com David Neeleman mas até ao momento sem sucesso.

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