Economia

"Taxas de juro vão continuar a subir", avisa presidente do BCE

"Taxas de juro vão continuar a subir", avisa presidente do BCE
Michael Probst/AP

A presidente do BCE explicou a decisão tomada esta quinta-feira e avisou: a subida das taxas de juro não fica por aqui.

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O anúncio esperado confirmou-se ao início da tarde desta quinta-feira. O Banco Central Europeu (BCE) decidiu subir as taxas de juro. A dúvida era se o aumento seria de 50 ou 75 pontos base, tendo sido esta última opção a decisão da instituição liderada por Christine Lagarde.

Coube, precisamente, à presidente do BCE explicar a decisão tomada hoje, deixando desde logo um aviso: "As taxas de juro vão continuar a subir", pelo que esta subida - a terceira desde o início do verão - não será a última.

Uma guerra de "longa duração na Ucrânia permanece um risco importante" para o crescimento, sublinhou Lagarde, alertando que a "probabilidade de uma recessão está a pairar mais no horizonte".

Os riscos para as perspetivas de inflação estão "em alta", acrescentou Lagarde, depois de em setembro a inflação homóloga ter ficado perto de 10% na zona euro.

Face a este cenário, a presidente do BCE apelou aos governos da zona euro para reduzirem o endividamento público.

"Os governos devem adotar políticas orçamentais que mostrem que a sua determinação em reduzir progressivamente as taxas de endividamento público elevadas", afirmou.

A "viagem" da normalização monetária ainda não acabou e Lagarde advertiu que "ainda há caminho a percorrer" e haverá novos aumentos para fazer baixar os preços. A evolução dos preços será determinante e as decisões serão tomadas reunião a reunião, acrescentou.

A instituição também vai reduzir as vantagens dos empréstimos concedidos nos últimos anos aos bancos em condições excecionais para apoiarem a economia.

Antes da conferência de imprensa, na qual justificou as decisões tomadas pelo Conselho do BCE, a instituição referiu, em comunicado, que “espera continuar a aumentar as taxas de juro – para assegurar o retorno atempado da inflação ao seu objetivo de 2% a médio prazo” e ”reduzir o apoio à procura e prevenir o risco de uma persistente deslocação em sentido ascendente das expectativas de inflação”.

Com a subida desta quinta-feira, a terceira consecutiva e a segunda desta dimensão, a principal taxa de refinanciamento do BCE fica em 2%, a taxa de juro aplicada aos depósitos fica em 1,5% e a taxa de juro de facilidade permanente de cedência de liquidez passa para 2,25%.

No comunicado divulgado após a reunião do BCE, a instituição refere que "espera continuar a subir" as taxas nos próximos meses "para assegurar o retorno atempado da inflação ao seu objetivo de 2% a médio prazo".

Os últimos dados divulgados indicaram uma taxa de inflação homóloga de 9,9% em setembro, na zona euro, muito longe dos 2% que o BCE fixou como meta.

O BCE já tinha decidido duas subidas das taxas de juro desde o início do verão, pondo fim a uma década de política monetária expansionista. Em julho começou com um aumento de 50 pontos base e em setembro acelerou para uma subida de 75 pontos base.

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