Economia

BCE confirma nova subida das taxas de juro

BCE confirma nova subida das taxas de juro
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Esta é a terceira subida desde o início do verão, pondo fim a uma década de política monetária expansionista. A decisão tomada hoje tem efeitos “a partir de 2 de novembro de 2022”.

Tal como os economistas anteciparam, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu, esta quinta-feira, voltar a subir as taxas de juro. A dúvida era se o aumento seria de 50 ou 75 pontos base, tendo sido esta última opção a decisão da instituição liderada por Christine Lagarde.

“O Conselho do BCE decidiu aumentar as três taxas de juro diretoras do BCE em 75 pontos base. Nessa conformidade, a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito serão aumentadas para, respetivamente, 2,00%, 2,25% e 1,50%, com efeitos a partir de 2 de novembro de 2022”, lê-se no comunicado.

Este é “o terceiro grande aumento consecutivo das taxas diretoras”, mas o BCE “espera continuar a aumentar as taxas de juro – para assegurar o retorno atempado da inflação ao seu objetivo de 2% a médio prazo” e ”reduzir o apoio à procura e prevenir o risco de uma persistente deslocação em sentido ascendente das expectativas de inflação”.

Além da subida das taxas de juros, o BCE decidiu também “alterar os termos e as condições da terceira série de operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas (ORPA direcionadas III)”, um instrumento que, pode ler-se, “foi crucial para contrariar os riscos em sentido descendente para a estabilidade de preços”.

“Atualmente, devido à subida inesperada e extraordinária da inflação, este instrumento necessita de ser recalibrado para assegurar a sua compatibilidade com o processo mais geral de normalização da política monetária e reforçar a transmissão dos aumentos das taxas diretoras às condições de financiamento bancário”, pelo que o BCE decidiu “ajustar as taxas de juro aplicáveis às ORPA direcionadas III a partir de 23 de novembro de 2022 e oferecer aos bancos datas adicionais de reembolso antecipado voluntário”.

O comunicado acrescenta ainda que, “no sentido de alinhar mais estreitamente a remuneração das reservas mínimas obrigatórias detidas pelas instituições de crédito junto do Eurosistema com as condições no mercado monetário, o Conselho do BCE decidiu que as reservas mínimas serão remuneradas à taxa de juro da facilidade permanente de depósito do BCE”.

Recorde-se que, já no passado mês de setembro, aquando da segunda subida desde o início do verão, Lagarde justificou esse aumento com a necessidade de continuar a endurecer as condições de acesso ao crédito para “travar a procura”.

A prioridade é não deixar a inflação "enraizar-se", disse à data a presidente do BCE, depois de os últimos dados apontarem para uma taxa de inflação homóloga de 9,9% em setembro na zona euro, muito longe dos 2% que o BCE fixou como meta.

O fim de uma década

Só desde julho deste ano, o BCE já decidiu três subidas das taxas de juro, pondo fim a uma década de política monetária expansionista. Em julho começou com um aumento de 50 pontos base e em setembro acelerou para uma subida de 75 pontos base.

Antes do anúncio oficial, desta quinta-feira, o economista João Duque disse, na antena da SIC Notícias, que esta é uma subida "inevitável" e que, aliás, “é pena que tenha vindo tão tarde”.

Mas, “agora temos um problema sério: deixámos que a inflação e os contextos inflacionistas se entranhassem na economia", explicou João Duque.

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