Economia

As divergências que levaram à demissão do secretário de Estado da Economia

OPINIÃO

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José Gomes Ferreira e Bernardo Ferrão analisam a saída de João Neves, secretário do Estado da Economia, e a possível demissão da secretária de Estado do Turismo.

O primeiro-ministro demitiu esta terça-feira o secretário de Estado da Economia na sequência de "divergências" com o atual ministro António Costa e Silva. José Gomes Ferreira sublinha que este cenário já era previsível e relembra os casos em que João Neves e o ministro da Economia chocaram. Já do ponto de vista político, Bernardo Ferrão indica que a saída do governante é mais um "tiro no porta-aviões".

"As divergências não são de agora", começa por explicar José Gomes Ferreira. O Ministério da Economia, isto é, os secretários e o responsável pela pasta começaram a divergir na altura em que se falava da melhor maneira de tributar as empresas, tece Gomes Ferreira.

O ministro da Economia pronunciou-se a favor da descida transversal do IRC, uma proposta que o Ministério "não terá gostado de ouvir". A invés, queria apostar numa abordagem seletiva, relacionada com o investimento e a criação de emprego, que acabou por vingar no orçamento do Estado.

Esta é apenas uma das divergências que levaram à rotura de relações entre o secretário de Estado da Economia e o ministro detentor da pasta. Todavia, o cerne do problema estará na orgânica do Governo, defende José Gomes Ferreira.

No primeiro Governo de António Costa, o setor da Energia, pertencente à pasta Economia passou a ser responsabilidade do Ministério do Ambiente, o que tornou o Ministério da Economia "bastante esvaziado de funções".

"O que lá fica é uma espécie de conselho de assessoria (...) Chega a um ponto em que o próprio ministro da Economia ser considerado como tendo um bom mandato, quando consegue ter peso político e palavra e influência para conseguir obter dinheiro dos outros Ministério".

No fundo, as divergências são entre as estruturas de secretários de Estado com o próprio ministro que tutela a pasta da Economia.

José Gomes Ferreira conclui que António Costa vai sair mais fragilizado desta situação. Bernardo Ferrão acrescenta que mais uma demissão no Governo de Costa é "mais um tiro no porta-aviões", principalmente, numa altura em que o Governo se prepara para um novo ciclo, com o novo orçamento do estado.

Bernardo Ferrão indica que é o primeiro-ministro precisa de ser transparente e explicar os motivos que levaram à demissão do secretário de Estado da Economia e a, ainda por apurar, demissão da secretária do Estado do Turismo.

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